Cancro do pulmão: nova forma de combatê-lo

Estudo publicado na revista “Molecular Cell”

26 outubro 2015
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Uma equipa internacional de investigadores identificou uma nova forma de parar o crescimento das células cancerígenas do pulmão, ao bloquear a capacidade de estas células utilizarem uma fonte de nutrição alternativa. O estudo publicado na revista “Molecular Cell” aponta novas alternativas para o tratamento do cancro do pulmão, que é o segundo tipo de cancro mais comum e representa mais de um quarto de todas as mortes associadas a esta doença.
 

O metabolismo do cancro é diferente do das células saudáveis. A rápida proliferação das células cancerígenas implica maiores necessidades energéticas. Estas necessidades são colmatadas através da utilização da glucose. Na verdade, as células cancerígenas utilizam este açúcar a taxas 10 ou até 100 vezes maiores comparativamente com as células saudáveis. No entanto, quando a glucose fica escassa, as células cancerígenas têm de utilizar uma fonte de nutrição alternativa para manter o crescimento e sobrevivência.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de McGill, nos EUA, em colaboração com a Universidade de Washington, nos EUA, Universidade de ITMO, na Rússia, e Universidade de Bristol, no Reino Unido, estudaram a resposta das células cancerígenas para reduzir a disponibilidade de glucose.
 

O estudo focou-se num dos tipos de cancro mais comuns, o cancro do pulmão de não-pequenas células, que afeta 85 a 90% de todos os pacientes com cancro do pulmão. Os investigadores constataram que algumas células do cancro do pulmão alteravam as suas preferências alimentares, mudando da glucose para o aminoácido glutamina quando o açúcar era escasso.
 

O estudo apurou que as células cancerígenas utilizavam uma enzima, a PEPCK, para reprogramar o metabolismo das células. De acordo com uma das autoras do estudo, Emma Vincent, até há pouco tempo a PEPCK apenas tinha sido estudada em tecidos especializados envolvidos na produção da glucose, como o fígado.
 

Os investigadores verificaram que algumas células cancerígenas também expressam a PEPCK, o que lhes permite converter a glutamina em energia e blocos de construção para suportar o seu crescimento. Ao fazer esta opção metabólica, a PEPCK permite que as células cancerígenas sobrevivam e continuem a proliferar em condições de escassez de nutrientes.
    

O estudo aos tecidos dos pacientes com cancro do pulmão revelou a presença de níveis aumentados de PEPCK, o que sugere que esta enzima desempenha um papel importante na doença.
 

“O nosso estudo demonstra que o cancro pode utilizar fontes de energia alternativas para ajudar a impulsionar o crescimento sob condições stressantes. Esta notável flexibilidade é o que, em parte, torna o cancro tão mortal, mas dá uma nova esperança para encontrar novas terapias”, conclui, o líder do estudo, Russell G. Jones.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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