Cancro do pulmão: identificados novos alvos terapêuticos

Estudo publicado na “Nature”

12 setembro 2012
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Investigadores americanos descobriram novos e potencias alvos terapêuticos para o tratamento de um dos tipos de cancro do pulmão mais mortais, o carcinoma de células escamosas, dá conta um estudo publicado na “Nature”.

 

Os investigadores mencionam que este tipo de cancro mata mais pessoas que o cancro da mama, colorretal e próstata, ficando apenas atrás do adenocarcionoma do pulmão. No entanto, contrariamente aos outros tipos de cancro do pulmão mais comuns, não existem tratamentos que tenham por alvo as mutações genéticas responsáveis pelo seu desenvolvimento.

 

Contudo, este estudo, liderado pelos investigadores do Broad Institute, Dana-Farber Cancer Institute, e Harvard Medical School, nos EUA, identificou potenciais alvos terapêuticos que foram baseados no número e alterações no ADN descobertos. “O nosso estudo mostrou que o carcinoma das células escamosas, tal como o adenocarcionoma do pulmão, é um cancro causado por diversas variações genéticas que podem ser potencialmente suscetíveis à ação de fármacos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos líderes do estudo, Matthew Meyerso.

 

Neste estudo, os investigadores sequenciaram o genoma de 178 tumores do pulmão do tipo carcinoma de células escamosas e do tecido saudável de pacientes. O estudo confirmou algumas das alterações genéticas previamente identificadas. Foi nomeadamente constatado que o gene TP53 apresentava alterações em 90% dos tumores e que o CDKN2A estava inativo em 72% dos tumores. Estes genes habitualmente impendem o desenvolvimento do cancro, mas quando silenciados, os tumores podem desenvolver-se livremente.

 

Adicionalmente foram também identificadas mutações em três famílias de enzimas ativadoras de muitas das funções celulares. Os investigadores descobriram alterações em vias de sinalização que poderão também ser potenciais alvos de tratamentos.

 

Um outro achado intrigante foi a descoberta de mutações no gene HLA, que ajuda o sistema imunitário a fazer a distinção entre o tecido do próprio e o invasor. De acordo com Matthew Meyerso, este é o primeiro cancro onde estas mutações foram encontradas. ”Estes resultados são importantes para ajudar a compreender a resposta imune contra este tipo de cancro e o tipo de terapia imunorreguladora que poderá ser utilizada contra esta doença”, acrescentou o investigador.

 

Os investigadores referem ainda que os indivíduos diagnosticados com este tipo de cancro do pulmão são submetidos, desde há 10 anos, ao mesmo tipo de tratamento. “Estamos só agora a ver alguns sinais de esperança. Os resultados deste estudo permitiram-nos identificar interessantes e potencias alvos terapêuticos que poderão ser futuramente trabalhados”.

 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.  
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