Cancro do pulmão: descoberto gene que impede a sua disseminação

Estudo publicado na revista “Molecular Cell”

25 julho 2014
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Investigadores americanos descobriram um gene que desempenha um papel chave na disseminação do cancro do pulmão para outras zonas do organismo. O estudo publicado na revista “Molecular Cell” aponta assim uma nova forma de combater um dos cancros mais mortais em todo o mundo.
 

O cancro do pulmão, mesmo quando descoberto precocemente, é capaz de se metastizar quase imediatamente pelo organismo. A razão pela qual alguns tumores o fazem e outros não ainda não está esclarecida. ”Através deste trabalho, estamos agora a começar a compreender por que motivo alguns subtipos de cancro do pulmão são tão invasivos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Reuben J. Shaw.
 

As células cancerígenas movem-se porque tem a capacidade de manipular protusões moleculares que se comportam como âncoras. Nas células saudáveis, estes complexos de adesão focal mantêm-nas ancorados nos locais e tecidos corretos. Contudo, as células cancerígenas têm a capacidade de “levantar” estas âncoras celulares, o que lhes permite viajar através da corrente sanguínea para outros órgãos e formar novos tumores.
 

Estudos anteriores tinham demonstrado que alguns cancros têm a capacidade de manipular estas âncoras e que um quinto dos casos de cancro do pulmão não expressam um gene anticancerígeno denominado por LKB1. Contudo, ainda não era conhecido como o LKB1 e as adesões focais estavam associados.
 

Neste estudo os investigadores do Instituto Salk, nos EUA, encontraram agora esta associação e um novo alvo terapêutico, um pequeno gene denominado por DIXDC1. Foi descoberto que este gene recebia instruções do LKB1 para alterar o tamanho e números das adesões focais.
 

Quando o DIXDC1 está ativo, cerca de meia dúzia de adesões focais crescem, grandes e fortes,ancorando as células no local. Quando o gene está bloqueado ou inativo, o número destas âncoras aumenta, mas ficam mais finas e fracas, empurrando as células para à frente em resposta a outros sinais. Isto faz com que a célula esteja mais livre para viajar para outros locais do organismo.  
 

Este estudo sugere que “os pacientes que não expressem nenhum dos genes poderão ser sensíveis a terapias que tenham por alvo as enzimas de adesão focal, as quais estão a ser testadas em ensaios clínicos iniciais”, explicou um dos autores do estudo, Reuben J. Shaw.
 

“Através da identificação desta associação inesperada entre o DIXDC1 e LKB1 em determinados tumores, aumentamos o número de pacientes que podem ser considerados bons candidatos para estas terapias”, conclui o primeiro autor do estudo, Jonathan Goodwin.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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