Cancro do pulmão: calcanhar de Aquiles foi identificado

Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

10 outubro 2014
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Investigadores americanos parecem ter encontrado o “calcanhar de Aquiles” do cancro do pulmão. Um estudo agora publicado na revista “Cell Metabolism” revela como os cientistas descobriram essa falha numa via metabólica que desempenha um papel central na interrupção do crescimento das células cancerígenas do pulmão.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade do Texas, nos EUA, centrou-se em trabalhos anteriores que demonstraram que as células cancerígenas têm um metabolismo alterado comparativamente com as células saudáveis. Estas alterações no metabolismo podem tornar as células cancerígenas mais vulneráveis aos agentes terapêuticos.
 

Os investigadores, liderados por Ralf Kittler, centraram-se numa proteína que regula o metabolismo da glucose e dos lípidos nas células normais, a PPARγ. Verificaram que a ativação desta proteína com um antidiabético despoletava alterações no metabolismo da glucose e dos lípidos, que por sua vez conduzia a um aumento dos níveis de espécies reativas do oxigénio. Estas moléculas são capazes de danificar as células quando estão presentes em elevados níveis, um fenómeno conhecido por stress oxidativo.
 

Na opinião dos investigadores, este aumento do stress oxidativo inibe o crescimento do tumor. “Verificámos que a ativação da PPARγ matou as células cancerígenas em cultura, bem como os tumores presentes em ratinhos, nos quais observámos uma inibição quase completa do crescimento tumoral”, referiu o investigador.
 

Estes achados sugerem que a PPARγ pode funcionar como um novo alvo terapêutico para o cancro do pulmão e eventualmente para outros tipos de cancros. Na verdade, os investigadores verificaram que a ativação da PPARγ conduzia a alterações moleculares semelhantes nas células do cancro da mama.
 

De acordo com os investigadores, estes resultados são importantes pois os fármacos que ativam a PPARγ incluem antidiabéticos já aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), os quais são geralmente bem tolerados comparativamente com a quimioterapia. O conhecimento do seu mecanismo de ação fornece informação que pode ajudar na seleção dos tumores que podem responder a este tratamento e na utilização destes fármacos com anticancerígenos, de forma a tornar a terapia mais eficaz. Estes achados podem também ajudar a desenvolver marcadores capazes de medir a resposta dos tumores a estes fármacos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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