Cancro do pulmão: adição de anticorpo melhora significativamente tratamento

Estudo da Universidade da Pensilvânia

12 outubro 2016
  |  Partilhar:

A adição de anticorpo pembrolizumab à terapia padrão de primeira linha para o tratamento do cancro do pulmão de não pequenas células melhora significativamente as taxas de resposta e a sobrevivência sem progressão da doença, dá conta um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Europeia para a Medicina Oncológica.
 

O pembrolizumab pertence a uma classe de fármacos anticancerígenos imunoterápicos denominados “inibidores de checkpoint” que têm por alvo o mecanismo que o tumor utiliza para eliminar a resposta imunológica do organismo.
 

Corey Langer, um dos autores do estudo, explica que o pembrolizumab permite que os linfócitos sejam reativados e levem a cabo as suas funções, ou seja, ajudar a eliminar o tumor.
 

Para o estudo de fase II, os investigadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, contaram com a participação de 123 pacientes com cancro do pulmão de não pequenas células em estadio IIIB/IV. Os pacientes foram tratados com quatro ciclos de carboplatina e pemetrexed (500 mg/m2 de três em três semanas), com ou sem 24 meses de tratamento com pembrolizumab (200mg todas de três em três semanas).
 

Após uma média de 10,6 meses, os investigadores observaram uma melhor taxa de resposta nos pacientes que tinham sido tratados com pembrolizumab e quimioterapia, comparativamente com aqueles que apenas receberam o tratamento com os agentes quimioterápicos.
 

Apesar de os pacientes não terem sido selecionados de acordo com a expressão do anticorpo PD-L1 (que se pensa estar envolvido na supressão do sistema imunológico), o estudo apurou que os pacientes com tumores com expressão PD-L1 maior ou igual a 50% apresentaram uma melhor resposta (cerca de 80%) ao tratamento composto por pembrolizumab e quimioterapia.
 

Os pacientes submetidos a este tratamento também apresentaram melhorias na sobrevivência sem progressão da doença (13 contra 8,9 meses), apesar de a taxa de sobrevivência total ser similar entre os dois grupos.
 

Os cientistas observaram uma maior incidência de eventos adversos de severidade de grau 3 ou superior nos pacientes tratados com pembrolizumab, comparativamente com aqueles tratados apenas com quimioterapia. Contundo, estes efeitos não tiveram impacto nas taxas de descontinuação do tratamento. Os efeitos adversos mais comuns foram fadiga e náusea nos pacientes tratados com pembrolizumab e anemia naqueles tratados apenas com quimioterapia.
 

Na opinião de Corey Langer, se estes resultados forem confirmados num ensaio clínico de fase III, podem alterar radicalmente o paradigma de tratamento do cancro do pulmão de não pequenas células.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar