Cancro do pâncreas: resistência à quimioterapia foi quebrada

Estudo publicado na “Cancer Cell”

22 março 2012
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O cancro do pâncreas dissemina-se rapidamente e é muito resistente ao tratamento, o que faz dele um dos cancros mais mortais. A sua resistência à quimioterapia deve-se, em parte, a uma barreira biológica que o tumor cria à sua volta. Um novo estudo publicado na revista “Cancer Cell” revela como esta barreira pode ser destruída, representando assim uma grande avanço no tratamento do cancro do pâncreas.

 

Investigadores da Fred Hutchinson Cancer Research Center, nos EUA, utilizaram um modelo de ratinho desenvolvido por eles e combinaram gemcitabine, a quimioterapia habitualmente utilizada no tratamento do adenocarcinoma pancreático ductal, com uma enzina denominada por PEGPH20. Quando os investigadores administraram este tratamento aos ratinhos, que foram geneticamente manipulados para mimetizar o cancro do pâncreas nos humanos, conseguiram quebrar a barreira criada pelos tumores, permitindo assim que a quimioterapia penetrasse no tecido tumoral. Os autores do estudo verificaram que, após o início do tratamento, houve um aumento de 40% da sobrevivência dos ratinhos. “Este foi o maior aumento do tempo de sobrevivência observado em modelos pré-clínicos”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Sunil Hingorani. 

 

Ao contrário da maioria dos tumores sólidos, os tumores pancreáticos utilizam dois tipos de defesa para evitar a entrada de pequenas moléculas, como aquelas presentes na quimioterapia: uma diminuição do aporte de sangue e uma forte reposta fibroinflamatória, a qual inclui a formação de fibroblastos, células imunitárias e endoteliais, que se incorporam na densa e complexa matriz celular do tumor.

 

Um dos principais componentes desta matriz é uma substância conhecida por ácido hialurónico, um açúcar complexo que é produzido naturalmente no organismo, sendo secretado em níveis muito elevados pelas células tumorais do cancro do pâncreas.

 

Os investigadores descobriram que a resposta fibroinflamatória cria pressões anormalmente elevadas nos fluidos intersticiais, que colapsam os vasos sanguíneos do tumor e que por sua vez impedem que os agentes quimioterápicos penetrem no tumor. O estudo apurou que o ácido hialurónico é a principal causa das elevadas pressões que conduzem ao colapso dos vasos sanguíneos. “Esta é a principal razão pela qual o cancro do tumor é tão resistente ao tratamento”, revelou o investigador.

 

A administração da enzima e da gemcitabine degrada o ácido hialurónico presente na barreira do tumor, o que resulta numa rápida redução de pressão intersticial, permitindo assim que elevadas concentrações quimioterápicas atinjam o tumor.

 

A utilização deste tratamento aumentou o tempo de vida, sendo também possível constatar que o cancro do pâncreas pode ser mais sensível à quimioterapia do que anteriormente se pensava, conclui Sunil Hingorani.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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