Cancro do pâncreas: possível alvo terapêutico identificado

Estudo publicado na revista “Cancer Research”

04 julho 2014
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Investigadores espanhóis identificaram uma nova proteína, a galectina-1, que poderá funcionar como um potencial alvo terapêutico para o cancro do pâncreas, dá conta um estudo publicado na revista “Cancer Research”.
 

Até à data, as abordagens terapêuticas utilizadas têm-se centrado no ataque das células tumorais, as quais têm surtido poucos efeitos. Contudo, os últimos estudos têm indicado que a destruição do ambiente circundante é possivelmente uma melhor estratégia.
 

Neste estudo, os investigadores do Instituto de Investigação do Hospital del Mar, em Espanha, utilizaram esta abordagem, tendo-se centrado na galectina-1 cuja redução afeta o sistema imune, as células e a estrutura que rodeia as células tumorais.
 

A galectina-1 é uma proteína que não se encontra nas células saudáveis do pâncreas, mas é altamente expressa nos tumores pancreáticos. Também tem sido demonstrado que esta proteína está envolvida na progressão do tumor.
 

Os investigadores começaram por analisar algumas amostras de tumores pancreáticos de ratinhos com elevados níveis de galectina-1, e amostras de tumor após a depleção da proteína. Foi observado que sem esta proteína, os tumores apresentavam uma menor proliferação, menos vasos sanguíneos, menos inflamação e um aumento da resposta imune. Todas estas alterações estão associadas a uma menor progressão dos tumores. Na verdade foi verificado que a inibição desta proteína conduziu a um aumento de cerca de 20% da sobrevivência dos ratinhos afetados por este tipo de cancro.
 

O estudo apurou ainda que a eliminação da galectina-1 não tinha consequências desfavoráveis, o que indica que “este pode ser um alvo terapêutico seguro sem efeitos adversos associados”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Pilar Navarro.
 

O cancro do pâncreas é um dos tumores com pior prognóstico, com uma taxa de sobrevivência inferior a 2%, 5 anos após o diagnóstico. Embora não seja um tumor muito comum, é a quarta causa de morte associada ao cancro em países desenvolvidos. Estes resultados podem ser, por um lado, resultantes do facto de muitas vezes a doença ser diagnosticada demasiado tarde e, por outro lado, devido à ineficácia dos tratamentos correntes.
 

Os resultados apresentados neste estudo são assim muito encorajadores, mas segundo os investigadores tem de haver alguma prudência, pois há muitos fatores a ter em conta. O próximo passo envolve a realização de ensaio pré-clínicos, onde ratinhos com cancro do pâncreas irão ser tratados com inibidores ou anticorpos contra a galectina-1. Se os resultados forem positivos seguir-se-ão ensaios nos humanos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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