Cancro do pâncreas: porque é tão agressivo?

Estudo publicado na revista “Genes and Development”

20 janeiro 2015
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Um gene pode explicar por que motivo o cancro do pâncreas é tão mortal, com pouco mais de um terço dos pacientes a sobreviverem à fase inicial da doença, dá conta um estudo publicado na revista “Genes and Development”.
 

Os investigadores da Universidade de Michigan, nos EUA, já sabiam que o gene ATDC estava envolvido em certa de 90% dos cancros pancreáticos, promovendo o seu crescimento e disseminação. Contudo, não se sabia como este processo ocorria. Neste estudo verificou-se agora que o gene desempenha um papel importante na forma como o tumor progride de um estado pré-invasivo para invasivo e metastático.
 

“Sabemos que os pacientes nos estádios iniciais do cancro do pâncreas têm uma taxa de sobrevivência de apenas 30%. Isto sugere que mesmo no início do estádio invasivo há células que já se disseminaram para outras partes do organismo”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Diane M. Simeone.
 

Para o estudo, os investigadores utilizaram um modelo de ratinho que replicava o cancro do pâncreas humano. Foram também analisadas amostras de tecido deste tipo de cancro e amostras de lesões pancreáticas pré-invasivas.
 

Os investigadores constataram que o gene ATDC estava expresso num conjunto de células pré-invasivas e desempenhava um papel importante no desenvolvimento de células estaminais cancerígenas pancreáticas, um pequeno número de células que alimentam o crescimento e disseminação do tumor. Isto sugere que o gene ATDC promove a invasão tumoral e a disseminação nos estádios iniciais do cancro.
 

Os autores do estudo acreditam assim que o gene ATDC pode ser um potente alvo terapêutico. Atualmente não existem fármacos que tenham por alvo esta via, o que se deve em parte o à falta de conhecimento que existe em torno da estrutura da proteína. Contudo, os investigadores estão já a tentar criar uma estrutura 3D da proteína para que esta possa ser utilizada como modelo para o desenvolvimento de fármacos
 

Alguns estudos preliminares indicaram que o gene ATDC está também envolvido noutros tipos de cancro, como o cancro da bexiga, ovários, colorretal, pulmões e mielomas múltiplos.
 

Contudo, na opinião de Diane M. Simeone é muito importante focar todas as atenções no cancro pancreático, para o qual são desesperadamente necessárias novas opções de tratamento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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