Cancro do pâncreas: novo alvo terapêutico identificado

Estudo publicado na revista “Nature”

23 junho 2016
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O adenocarcinoma ductal pancreático é extremamente letal e apresenta uma elevada resistência aos atuais regimes de tratamento. O estudo publicado na revista “Nature” descreve um novo modelo que permite tanto a monitorização da resistência aos fármacos in vivo, como também sugere um novo alvo terapêutico que poderá impedir o crescimento do cancro. 
 
Os investigadores da Universidade da Califórnia, Universidade de Nebrasca, nos EUA, da Universidade de Keio, no Japão, bem como da farmacêutica Ionis desenvolveram um novo modelo de ratinho que permite a monitorização imagiológica e não invasiva dos sinais das células estaminais.
 
Através desta técnica, os investigadores demonstraram que o gene Musashi (Msi) é um elemento importante para a progressão do cancro do pâncreas. Verificou-se que a expressão do Msi aumentou com a progressão do cancro e que as células estaminais que o expressam são elementos chave no crescimento do cancro, na resistência aos fármacos e na letalidade.
 
Tendo em conta o papel do Msi na promoção da agressividade da doença, a equipa desenvolveu inibidores específicos contra o Msi. O estudo apurou que estes inibidores tiveram por alvo e bloquearam especificamente as células que expressavam o Msi, o que conduziu à inibição do crescimento do tumor em modelos de ratinho, assim como em células cancerígenas derivadas de pacientes que têm mais mutações complexas e são uniformemente resistentes aos fármacos.    
 
Tannishtha Reya, a líder do estudo, explica que uma vez que a atividade do gene Msi pode ser visualizada através de imagens ao vivo, estes modelos podem ser utilizados para monitorizar as células estaminais cancerígenas que se encontram no microambiente tumoral, fornecendo uma imagem em tempo real do crescimento do cancro e das metástases. Desta forma, estes modelos podem funcionar como uma plataforma para testar novos fármacos que poderão ser mais eficazes na erradicação das células resistentes. 
 
A investigadora referiu que ter por alvo o Msi nos tumores primários alterou significativamente a trajetória de progressão ao travar o crescimento do cancro do pâncreas, e melhorou a sobrevivência, inibindo tanto as células estaminais cancerígenas como as outras células tumorais.  
 
"Isto evidencia realmente a nossa capacidade de traduzir estes achados e sugere que os antagonistas Msi podem ser uma nova estratégia contra a resistência à quimioterapia”, concluiu Tannishtha Reya.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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