Cancro do pâncreas: identificado sinal precoce

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

01 outubro 2014
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Investigadores americanos descobriram um sinal precoce do desenvolvimento do cancro do pâncreas, que ocorre antes de a doença ser diagnosticada e os sintomas aparecerem, e que se traduz num aumento da produção de determinados aminoácidos, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Medicine”.
 

Os investigadores do Instituto do Cancro Dana-Farber e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA, referem que, apesar de este aumento não ser suficientemente grande para funcionar como base de um novo teste de deteção da doença, poderá ajudar a compreender de que forma este tipo de cancro afeta o resto do organismo, particularmente a forma como pode por vezes despoletar uma condição denominada por caquexia.
 

A “maioria dos pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático, a forma mais comum do cancro do pâncreas, é diagnosticada após a doença ter atingido estádios avançados, e muitos acabam por falecer um ano após o diagnóstico. A deteção precoce da doença pode melhorar a nossa capacidade de o tratar com sucesso”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos coautores do estudo, Brian Wolpin
 

Para o estudo, os investigadores recolheram amostras de sangue a 1.500 indivíduos. Nos indivíduos que desenvolveram cancro e nos que não desenvolveram, foram posteriormente analisadas 100 substâncias diferentes produzidas pelo processo metabólico (metabolitos).
 

O estudo apurou que, comparativamente com os indivíduos que não desenvolveram cancro, os que desenvolveram apresentaram um aumento dos níveis de aminoácidos de cadeia ramificada. O tempo que decorreu até os indivíduos serem diagnosticados com cancro variou entre os dois e os 25 anos, apesar de o risco mais elevado ter sido identificado sete anos antes do diagnóstico.
 

“Estes resultados levam-nos a pensar que um aumento dos níveis de aminoácidos de cadeia ramificada se deve à presença de um tumor pancreático precoce”, disse Brian Wolpin. Esta hipótese foi posteriormente comprovada. Verificou-se que os ratinhos com tumores pancreáticos recentes apresentavam níveis anormalmente elevados destes aminoácidos.
 

Os investigadores constataram que este aumento era resultante do desgaste do tecido muscular, que fazia com que os aminoácidos de cadeia ramificada fossem libertados na corrente sanguínea. Este é um processo similar ao que ocorre nos indivíduos com caquexia resultante do cancro. A caquexia é uma condição complexa caracterizada pela perda de gordura e massa muscular, e que afeta cerca de metade dos pacientes com cancro.
 

De acordo com um outro autor do estudo, Vander Heiden, este estudo fornece uma visão de como este tipo de cancro afeta a forma como o restante organismo lida com os nutrientes. “Estes resultados podem ajudar na deteção dos tumores pancreáticos precoces e na identificação de novas estratégias de tratamento”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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