Cancro do pâncreas está associado a bactérias presentes na cavidade oral?

Estudo da Universidade de Nova Iorque

22 abril 2016
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A presença de determinadas bactérias na cavidade oral pode indicar um aumento do risco de cancro pancreático e permitir um tratamento mais preciso e precoce, sugere um estudo apresentado no encontro anual da Associação Americana para a Investigação do Cancro.
 

Os pacientes com cancro do pâncreas são conhecidos por serem mais suscetíveis a doença periodontal, caries e má saúde oral no geral. Com base nesta informação, os investigadores da Universidade de Nova Iorque, nos EUA, decidiram averiguar se havia uma associação direta entre as bactérias que habitam a cavidade oral e o desenvolvimento subsequente de cancro do pâncreas, uma doença que frequentemente escapa a um diagnóstico precoce.
 

“O nosso estudo fornece a primeira evidência direta de que alterações específicas do microbioma oral são um fator de risco do cancro do pâncreas conjuntamente com a idade avançada, sexo masculino, hábitos tabágicos, raça afroamericana e antecedentes familiares da doença”, concluiu a líder do estudo, Jiyoung Ahn.
 

Para o estudo, os investigadores compararam as bactérias presentes na cavidade bocal de 361 homens e mulheres americanos, que desenvolverem cancro do pâncreas, com amostras de 371 indivíduos similares que não desenvolveram a doença. Os participantes foram acompanhados ao longo de cerca de uma década.
 

O estudo apurou que os homens e as mulheres cujos microbiomas incluíam a bactéria Porphyromonas gingivalis apresentavam um risco 59% maior de desenvolverem cancro pancreático, comparativamente com aqueles que não continham esta bactéria. Os microbiomas que tinham a bactéria Aggregatibacter actinomycetemcomitans apresentavam uma probabilidade pelo menos 50% maior de desenvolver este tipo de cancro. Estas bactérias já tinham sido associadas no passado a doenças como a periodontite ou inflamação das gengivas.
 

Um estudo publicado recentemente pela mesma equipa de investigadores demonstrou que os hábitos tabágicos estavam associados a grandes alterações, apesar de reversíveis, na quantidade e diversidade das bactérias presentes no microbiana oral.
 

Contudo, os investigadores referem que são necessários mais estudos para determinar se existe alguma relação de causa e efeito ou se as alterações associadas ao tabagismo alteram o sistema imunitário ou desencadeiam atividades causadoras do cancro no pâncreas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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