Cancro do pâncreas e o efeito inibidor de um antidiabético

Estudo publicado na revista “PLOS One”

20 janeiro 2016
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Investigadores americanos descobriram um mecanismo responsável pela capacidade do fármaco antidiabético metformina inibir a progressão do cancro do pâncreas, dá conta um estudo publicado na revista “Plos One”.

 

Os investigadores do Hospital Geral de Massachusetts, nos EUA, constataram que a metformina diminui a inflamação e a fibrose característica da forma mais comum do cancro pancreático. O estudo realizado em modelos animais e celulares, bem como em amostras de tumores de pacientes, também indicou que este efeito benéfico é mais prevalente nos pacientes com excesso de peso e obesos.

 

O estudo apurou que a metformina alivia a desmoplasia, a acumulação de tecido conjuntivo denso e de células imunitárias associadas ao tumor que são uma característica do cancro do pâncreas, através da inibição da ativação das células estreladas pancreáticas que produzem a matriz extracelular e pela reprogramação de células imunitárias para reduzir a inflamação.

 

“Verificámos que estes efeitos eram apenas evidentes nos tumores dos indivíduos com excesso de peso ou obesos, que parecem ter tumores mais fibróticos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Dai Fukumura.

 

No estudo os investigadores focaram-se no adenocarcinoma ductal pancreático, a forma mais comum do cancro do pâncreas. Metade dos indivíduos diagnosticados com este tipo de cancro tem excesso de peso ou são obesos e até 80% tem diabetes tipo 2 ou são resistentes à insulina. Os pacientes com diabetes que tomam metformina são conhecidos por terem um risco reduzido de desenvolver cancro do pâncreas e entre aqueles que desenvolvem tumor, os que tomam este fármaco apresentam um risco reduzido de morte. Contudo, até à data ainda não estava claro qual o mecanismo de ação da metformina contra o cancro do pâncreas.

 

Os investigadores constataram que, um componente da matriz extracelular, o ácido hialurónico estava presente em níveis 30% menores nas amostras de tumores de pacientes com excesso de peso ou obesos que estavam a tomar metformina para tratar a diabetes, comparativamente com aqueles que não estavam a tomar este fármaco.

 

No modelo animal do cancro do pâncreas, verificou-se que os animais aos quais tinha sido administrado metformina apresentavam uma expressão reduzida de colagénio-1 e ácido hialurónico e poucas células estreladas pancreáticas ativadas. Através de estudos realizados in vitro, os investigadores identificaram a via de sinalização através da qual a metformina reduz a produção do ácido hialurónico e do colagénio-1 e também impede o recrutamento de um tipo de células imunitárias associadas ao tumor, os macrófagos, que aumentam o ambiente inflamatório.

 

Nos modelos de ratinho, verificou-se que o tratamento com metformina reduziu os macrófagos associados ao tumor em 60% e reduziu a expressão de genes envolvidos na remodelação da matriz extracelular do tecido tumoral. Os tumores dos animais tratados com o fármaco também apresentaram reduções nas alterações associadas às metástases e também no nível global das metástases. Os efeitos da metformina parecem ser independentes do efeito do fármaco nas vias metabólicas envolvidas no metabolismo da glucose e peso corporal.

 

“Conhecer os mecanismos responsáveis pelos efeitos da metformina no cancro do pâncreas e noutros cancros poderá ajudar a identificar biomarcadores, como o peso do pacientes e aumento da fibrose nos tumores, que pode ajudar os pacientes para os quais o tratamento com a metformina poderá ser mais benéfico”, conclui, um outro autor do estudo, Rakesh K. Jain.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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