Cancro do pâncreas: dispositivo implantável pode abrandar e diminuir tumores

Estudo publicado na revista “Biomaterials”

21 abril 2016
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Investigadores americanos desenvolveram um pequeno dispositivo implantável que liberta fármacos quimioterápicos diretamente nos tumores pancreáticos. Os testes demonstraram que este método é 12 vezes mais eficaz do que a administração de fármacos intravenosamente, dá conta um estudo publicado na revista “Biomaterials”.
 
Um das razões pela qual o cancro do pâncreas tem uma baixa taxa de sobrevivência é que é muito difícil os fármacos quimioterápicos atingirem o pâncreas, que está localizado profundamente no abdómen. O tratamento intravenoso falha também muitas vezes, porque os tumores pancreáticos têm poucos vasos sanguíneos, o que dificulta a entrada dos fármacos. Adicionalmente, este tipo de tumores é rodeado por uma camada espessa e fibrosa que impede a entrada dos fármacos.
 
De forma a tentar ultrapassar este obstáculo, os investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA, desenvolveram uma película fina e flexível constituída por um polímero, o PLGA. A película pode ser enrolada num tubo estreito e inserida através de um cateter, de modo que o implante cirúrgico é relativamente simples. Quando a película atinge o pâncreas, desdobra-se e adota a forma do tumor. 
 
“Uma vez que a película é muito flexível pode-se adaptar a qualquer tamanho e forma do tumor”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Laura Indolfi.
 
Os fármacos são embebidos na película e posteriormente libertados durante um período pré-programado de tempo. A película foi desenvolvida para que o fármaco seja apenas secretado do lado que entra em contacto com o timo, minimizando os efeitos secundários para os órgãos vizinhos.
 
Os investigadores testaram o dispositivo em dois grupos de ratinhos que tinham sido implantados com tumores pancreáticos humanos. Num dos grupos foi inserido um implante com o quimioterápico paclitaxel e a outro grupo foi administrado o mesmo fármaco intravenosamente ao longo de quatro semanas, mimetizando o tratamento de pacientes.
 
O estudo apurou que, nos animais com o implante, o tumor cresceu mais lentamente e em alguns casos diminuiu. O tratamento localizado também aumentou a quantidade de células cancerígenas mortas que circundavam o local alvo, o que facilita a sua remoção cirúrgica. Ao atuar como barreira física, a película foi capaz de reduzir as metástases nos órgãos circundantes.
 
Quatro semanas após o tratamento, a concentração de paclitaxel nos tumores dos animais implantados com o dispositivo era cinco vezes maior do que nos ratinhos que receberam injeções. Uma vez que há poucos vasos sanguíneos nos tumores pancreáticos, o fármaco tendia a não se disseminar para os órgãos vizinhos, impedindo os efeitos tóxicos para os tecidos saudáveis.
 
Na opinião de um dos autores do estudo, Elazer Edelman, a combinação da libertação localizada, programada e controlada, acoplada à utilização criteriosa de compostos críticos, pode resolver os problemas vitais do tratamento do cancro do pâncreas.
 
Os autores do estudo estão atualmente a planear testar o dispositivo num ensaio clínico para pacientes humanos. Apesar de se terem focado no cancro do pâncreas, esperam que esta abordagem possa ser útil no tratamento de outros tumores que são difíceis de alcançar, como os tumores do trato gastrointestinal.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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