Cancro do pâncreas: descobertos os processos iniciais

Estudo publicado na revista “Cancer Discovery”

12 novembro 2014
  |  Partilhar:

Investigadores americanos identificaram os processos iniciais envolvidos na transformação de determinadas células do pâncreas em lesões cancerígenas, um achado que pode ajudar na formulação de estratégias preventivas contra a doença, dá conta um estudo publicado na revista “Cancer Discovery”.
 

“O cancro do pâncreas desenvolve-se a partir destas lesões, assim se percebermos como estas aparecem, talvez consigamos impedir o desenvolvimento do cancro”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Peter Storz.
 

O estudo realizado pelos investigadores da Clínica Mayo, nos EUA, focou-se nas células pancreáticas com mutações num gene conhecido por Kras, que codifica uma proteína envolvida na regulação da divisão celular. Mais de 95% dos casos do cancro do pâncreas apresentam mutações neste gene.
 

Os investigadores descreveram como identificaram os passos que levam as células acinares com mutações Kras a transformarem-se em células semelhantes às ductais, com propriedades similares às células estaminais, as quais se encontram frequentemente associadas ao cancro.
 

O estudo apurou que, nas células acinares, a proteína Kras induz a expressão de uma molécula, a ICAM-1, que atrai um tipo específico de células imunes, os macrófagos. Estes macrófagos inflamatórios libertam várias proteínas, incluindo algumas que afetam a estrutura das células do pâncreas. Nestas circunstâncias as células acinares transformam-se em vários tipos de células incluindo algumas que conduzem às lesões pré-cancerosas.
 

“Demonstrámos que há uma associação direta entre as mutações Kras e o ambiente inflamatório que conduz ao desenvolvimento do cancro pancreático”, disse Peter Storz.
 

Os investigadores constataram ainda que, nos ratinhos, este processo poderia ser impedido de duas formas. Uma através da depleção de macrófagos, e outra através da utilização de um anticorpo capaz de se ligar e bloquear a ICAM-1. Esta última estratégia está ser utilizada em várias doenças, incluindo o acidente vascular cerebral e a artrite reumatoide. A adoção de qualquer uma destas estratégias conduziu a uma diminuição da redução das lesões pré-cancerosas.
 

“Perceber a ligação entre as células acinares com mutações no gene Kras e o microambiente dessas células é chave para desenvolver alvos terapêuticos capazes de prevenir e tratar este tipo de cancro”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.