Cancro do pâncreas: combinação de fármacos mostra-se promissora

Estudo publicado no “Journal of the National Cancer Institute”

25 setembro 2015
  |  Partilhar:
Investigadores americanos descobriram que a combinação de dois fármacos é capaz de inibir os tumores e matar as células cancerígenas do pâncreas, dá conta um estudo publicado no “Journal of the National Cancer Institute”.
 
A descoberta de novos tratamentos contra o cancro do pâncreas é fundamental uma vez que menos de 5% dos pacientes com tumores neuroendócrinos pancreáticos respondem ao everolimus, o fármaco mais utilizado no tratamento desta doença.
 
De acordo com o Instituto Nacional do Cancro, nos EUA, os tumores neuroendócrinos são cada vez mais comuns e responsáveis por três a cinco por cento dos tumores malignos do pâncreas e têm uma taxa de sobrevivência de cinco anos de cerca de 42%.
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade da Flórida, nos EUA, descobriram a proteína responsável pelo desenvolvimento de tumores neuroendócrinos pancreáticos. A proteína, conhecida como FAK, ativa a enzima AKT que ajuda os ilhéus de Langerhans no pâncreas a sobreviverem. Contudo, descobriu-se que quando este tipo de células se transformam em tumores, há um excesso de produção da proteína FAK. A presença desta proteína em quantidades excessivas permite que o tumor resista à quimioterapia. 
 
Após terem identificado o papel da FAK no desenvolvimento do tumor, os investigadores começaram a procurar fármacos capazes de aumentar a eficácia do everolimus. Entre as substâncias testadas foi identificado um composto sintético, o PF-04554787, que inibiu o crescimento de três linhas celulares pancreáticas humanas cinco dias após o tratamento e induziu a morte das células pancreáticas.
 
A eficácia do PF-04554787 foi posteriormente testada em células pancreáticas humanas implantadas em modelos animais. Verificou-se que a administração de doses diárias deste composto reduziu o volume do tumor em 50%, após 25 dias. 
 
O estudo apurou ainda que a combinação deste composto com o everolimus matou as células cancerígenas do pâncreas mais eficazmente que o everolimus isoladamente. Em testes realizados em duas linhas celulares de ratinho, verificou-se que a combinação dos dois fármacos reduziu a viabilidade das células cancerígenas em cerca de 50%, comparativamente com o everolimus isoladamente.
 
“Isto é importante uma vez que nos estamos a focar no everolimus, um fármaco já aprovado, não tóxico e já administrado aos pacientes. Qualquer coisa que possamos fazer para aumentar a sua eficácia é um grande avanço”, Rony A. François.
 
Estes achados podem ser também relevantes para a utilização noutros tipos de tumores sólidos, incluindo cancro de pulmão e ovários, uma vez que estão envolvidas a mesma proteína e enzima.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.