Cancro do ovário e o efeito dos anti-contracetivos orais e laqueação das trompas

Estudo publicado no “Journal of the National Cancer Institute”

20 maio 2014
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A toma de contracetivos orais e laqueação das trompas poderá reduzir o risco de cancro do ovário nas mulheres com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, defende um estudo publicado no “Journal of the National Cancer Institute”.
 
As mulheres que herdam mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 apresentam um risco mais elevado de desenvolver cancro da mama e do ovário. De acordo com o National Cancer Institute, nos EUA, a ocorrência de mutações em qualquer um destes genes é responsável pelo desenvolvimento de 15% do cancro do ovário. Cerca de 39% das mulheres que herda a mutação no gene BRCA1 e de 11 a 17% que herda mutações no gene BRCA2 irá desenvolver cancro do ovário por volta dos 70 anos.
 
Estudos anteriores tinham sugerido que existem determinados fatores, como o consumo de álcool e tabaco, que poderiam modificar o risco de cancro do ovário nas mulheres que herdam estas mutações. Contudo, os investigadores da Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pennsylvania, nos EUA, referem que alguns destes estudos tinham qualidade variável, não estando ainda perfeitamente identificados quais os fatores de risco modificáveis para as mulheres portadoras destas mutações. 
 
De forma a tentar aprofundar mais esta temática, os investigadores, liderados por Timothy R. Rebbeck, fizeram uma revisão bibliográfica de 44 estudos. Foi constatado que as mulheres portadoras da mutação no gene BRCA1 e que tinham amamentado ou realizado laqueação das trompas apresentavam um risco menor de desenvolver cancro do ovário, comparativamente com as outras mulheres. Contudo, não foi encontrada qualquer associação entre amamentação e a laqueação das trompas e um menor risco de desenvolvimento de cancro da mama.
 
Os investigadores também verificaram que comparativamente com as mulheres portadoras de mutações nos dois genes e que não tomavam contracetivos orais, as que tomavam apresentavam um risco significativamente menor de desenvolver cancro do ovário. 
 
De acordo com os investigadores, esta análise também ajudou a identificar fatores que poderão aumentar o risco de cancro das mulheres com mutações nos genes BRCA. Foi nomeadamente constatado que o consumo de tabaco aumentava o risco de cancro da mama nas mulheres portadoras de mutações no gene BRCA2.
 
“A nossa análise mostra que a hereditariedade não dita o destino. As mulheres portadoras de mutações nos genes BRCA podem, conjuntamente com os seus médicos, adotar medidas preventivas que podem reduzir o risco de desenvolverem cancro do ovário”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador.
 
Os autores do estudo referem que apesar de terem verificado que contracetivos orais diminuíam o risco de cancro do ovário, o efeito sobre o cancro da mama foi ambíguo. Apesar de serem necessários mais estudos, os investigadores acreditam que esta análise agora realizada ajudou a identificar potencialmente algumas opções não cirúrgicas para as mulheres com risco de cancro da mama e do ovário.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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