Cancro do ovário: células imunitárias revertem resistência

Estudo publicado na revista “Cell”

25 maio 2016
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Investigadores americanos explicam por que motivo o cancro do ovário se torna resistente à quimioterapia e sugerem que a imunoterapia pode funcionar como opção de tratamento futuro, dá conta um estudo publicado na revista “Cell”.
 

Os investigadores da Universidade de Michigan, nos EUA, explicam que dentro de cada tumor nos ovários existem células “más”, os fibroblastos que bloqueiam a quimioterapia, e as “boas”, os linfócitos T, que revertem a resistência ao tratamento.
 

J. Rebecca Liu, uma das autoras do estudo, refere que o cancro do ovário é frequentemente diagnosticado em fases tardias. Desta forma, a quimioterapia é uma parte fundamental do tratamento. Apesar de inicialmente as pacientes responderem ao tratamento, acabam todas por desenvolver quimiorresistência.
 

“Pensávamos que a resistência era causada por alterações genéticas nas células tumorais. Mas percebemos que o que acontece é algo completamente distinto”, disse a investigadora.
 

Para o estudo, os investigadores analisaram amostras de tecido de pacientes com cancro do ovário. As células foram separadas por tipo, de maneira a estudar o microambiente tumoral em células e em ratinhos.
 

O cancro do ovário é habitualmente tratado com uma quimioterapia baseada em platina, a cisplatina. Verificou-se que os fibroblastos bloqueavam a platina, impedindo que esta substância se acumulasse no tumor e protegendo as células tumorais de serem eliminadas pela cisplatina.
 

O estudo apurou, no entanto, que os linfócitos T anularam a proteção dos fibroblastos. Quando as células imunitárias foram adicionadas aos fibroblastos, as células tumorais começaram a morrer.
 

“Os linfócitos T são os soldados do sistema imunológico. Já sabíamos que se tivéssemos muitos linfócitos T, tínhamos melhores resultados. Agora verificámos que também têm impacto na resistência à quimioterapia”, referiu o líder do estudo, Weiping Zou.
 

Ao ativar os linfócitos T, os investigadores foram capazes de ultrapassar a resistência à quimioterapia nos modelos animais. Foi utilizada uma pequena proteína, o interferão, para manipular as vias envolvidas na cisplatina.
 

Os investigadores sugerem que a combinação da quimioterapia com a imunoterapia poderá ser eficaz contra o cancro do ovário. O PD-L1 e os bloqueadores da via PD-L1 são tratamentos já aprovados pela FDA (a agência americana do medicamento) para alguns cancros, mas ainda não para o cancro do ovário.
 

“Esperamos poder reeducar os fibroblastos e as células tumorais com linfócitos T após o desenvolvimento da quimiorresistência. Posteriormente, poderíamos, eventualmente, utilizar a mesma quimioterapia a que o paciente tinha desenvolvido resistência”, conclui.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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