Cancro do ovário: biópsias líquidas detetam recidivas precocemente

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

25 julho 2016
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Investigadores americanos descobriram um método novo e promissor capaz de monitorizar as recidivas do cancro do ovário, revela um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 

Os investigadores da Clínica Mayo, nos EUA, constataram que as biópsias líquidas realizadas a partir de testes sanguíneos e sequenciação do ADN podem detetar a recorrência do cancro do ovário muito antes de o tumor reaparecer. Este novo método poderá conduzir a uma intervenção precoce e a um tratamento mais eficaz e individualizado.
 

O líder do estudo, George Vasmatzis, refere que com as biópsias líquidas não é necessário esperar que o tumor cresça para conseguir uma amostra de ADN. “Esta descoberta importante permite-nos detetar a recorrência da doença mais cedo do que através de outros métodos de diagnóstico. Podemos repetir as biópsias líquidas para monitorizar a progressão do cancro. Isto dá esperança para um melhor plano de tratamento ao longo do tempo”, referiu, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de dez pacientes com cancro do ovário em estadio avançado, tendo sido retiradas amostras de sangue antes e após a cirurgia. O ADN das biópsias líquidas sanguíneas foi comparado com o ADN de amostras de tecido do tumor através da sequenciação do exoma que é capaz de revelar as alterações genéticas que contribuem para o crescimento do tumor.
 

George Vasmatzis explicou que a colheita de sangue realizada antes e após a cirurgia e o tecido cirúrgico foram utilizados para identificar os fragmentos de ADN com junções anormais que só podem ser observados no ADN tumoral da paciente. A técnica de sequenciação foi utilizada para “identificar alterações específicas no ADN do tumor para criar um painel de monitorização individualizado para a biópsia líquida. Isto permitiu-nos adequar o tratamento a uma paciente específica em vez de utilizar o tratamento padrão que pode não funcionar para todas as pacientes”, referiu o investigador.
 

Os investigadores verificaram que, quando o ADN pós-cirúrgico correspondia ao do tumor, as pacientes tiveram posteriormente uma recidiva do cancro do ovário. Contudo, quando o ADN após a cirurgia não correspondia ao ADN do tumor, as pacientes encontravam-se em remissão.
 

O cancro do ovário tem uma das maiores taxas de mortalidade de todos os cancros ginecológicos, devido ao facto de o tumor apenas ser frequentemente detetado nos estadios finais. A maioria das pacientes entra em remissão após o tratamento inicial, mas o tumor retorna em 75% dos casos. Habitualmente, esta nova etapa do cancro não responde à quimioterapia.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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