Cancro do intestino: como identificar pacientes com melhor prognóstico?

Estudo da Universidade de Oxford

22 julho 2016
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Investigadores do Reino Unido descobriram uma relação entre uma mutação rara nos cancros do intestino e um melhor pronóstico, aumentando a possibilidade de os pacientes com estes tumores não necessitarem de quimioterapia após cirurgia.
 

O estudo levado a cabo pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e por outras instituições europeias centrou-se no cancro colorretal, tendo analisado a presença de mutações num gene que é essencial para a cópia exata do ADN quando as células se dividem, conhecido como ADN polimerase épsilon (POLE, sigla em inglês).
 

Como consequência dos defeitos na cópia do ADN, estes tumores acumulam um número mais elevado de mutações adicionais, comparativamente com outros cancros intestinais, uma característica que pode explicar uma resposta imunitária aparentemente aumentada contra estes tumores.
 

Apesar de as mutações no POLE serem pouco comuns no cancro do intestino, ocorrendo apenas em um a dois por cento dos casos de cancro, isto traduz-se em seis mil a 12 mil pacientes na europa e nos EUA anualmente.
 

Os investigadores verificaram que os cancros do intestino com mutações POLE apresentavam uma probabilidade substancialmente menor de recidiva do que outros tumores. Esta associação pareceu particularmente forte num subconjunto de casos diagnosticados no estadio inicial, para os quais os benefícios da quimioterapia são relativamente modestos.
 

Contudo, uma vez que a maioria dos pacientes incluídos no estudo tinha sido tratada com quimioterapia, os investigadores não foram capazes de verificar se o prognóstico favorável era resultante apenas das mutações POLE ou de uma combinação das mutações e da quimioterapia.
 

David Church, um dos autores do estudo, refere que já tinha sido previamente demonstrado que as mutações POLE identificam um subtipo de cancros do útero com um excelente prognóstico. Este estudo sugere que esta associação se estende para os cancros do intestino.
 

Apesar destas mutações serem raras, uma vez que o cancro do intestino é dos tumores mais comuns, têm o potencial de influenciar o tratamento de vários milhares de pacientes anualmente na Europa e nos EUA.
 

No entanto, o investigador refere que estes resultados necessitam de ser comprovados antes de serem traduzidos na prática clínica.
 

“Estamos também interessados em determinar se o elevado número de mutações nestes cancros significa que estes são mais suscetíveis a fármacos que tenham por alvo o sistema imunitário, que sabemos que é uma determinante-chave no prognóstico dos pacientes com cancro”, concluiu David Church.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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