Cancro do estômago: identificado novo biomarcador

Estudo publicado no “The American Journal of Pathology”

10 setembro 2015
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Investigadores chineses identificaram um biomarcador nos pacientes com cancro do estômago que impede o fornecimento de sangue aos tumores e reduz a capacidade de as células cancerígenas se disseminarem para outras partes do organismo, atesta um estudo publicado no “The American Journal of Pathology”.
 
No estudo, os cientistas do Instituto de Investigação do Cancro e da Universidade Médica de Kunming, na China, verificaram que os pacientes com cancro do estômago cujas lesões cancerígenas apresentam níveis elevados do biomarcador microRNA 506 (miR-506) têm taxas de sobrevivências maiores que os pacientes com níveis mais baixos deste biomarcador. 
 
Para além de o miR-506 prever a sobrevivência no cancro do estômago, este tem também a capacidade de suprimir o crescimento tumoral, formação de vasos sanguíneos e disseminação das células cancerígenas.
 
Os investigadores, liderados por Xin Song, começaram por explicar que a transição epitélio-mesênquima (EMT, do inglês, epithelial-mesenchymal transition) nas células cancerígenas está associada a um aumento da capacidade de invadir os tecidos circundantes e de migração para locais distantes.
 
A EMT é um passo fundamental durante a formação do embrião (embriogénese), mas está também envolvida em processos dentro do organismo que resultam em alterações funcionais associadas ao cancro. Embora ainda não estejam completamente compreendidos os fatores específicos dos tumores que impulsionam a EMT, sabe-se que ocorrem várias alterações bioquímicas através da EMT para produzir um tipo de células conhecidas por mesenquimais (MSC, sigla em inglês).
 
As MSC desempenham um papel importante tanto na reparação dos tecidos saudáveis, como em processos causadores de doenças, incluindo o crescimento de tumores e a propagação de células do cancro. Estas células transformadas têm a capacidade de migrar para longe dos tecidos que revestem as cavidades e as superfícies dos vasos sanguíneos e órgãos, invadem outros tecidos e evitam a morte celular programada.
 
Um dos vários mecanismos que podem iniciar uma EMT é a alteração na expressão de uma classe específica de pequenos RNA não codificadores que regulam a expressão genética, tal como o identificado o neste estudo – o miR-506. 
 
No estudo, os investigadores utilizaram um teste genético para detetar a miR-506 em amostras gástricas humanas retiradas a 84 pacientes submetidos a cirurgia. Após medição dos níveis de miR-506 em cada uma das amostras, os pacientes foram alocados a diferentes grupos com base no nível deste biomarcador. Verificou-se que a sobrevivência dos pacientes estava associada a níveis mais elevados de miR-506.
 
Através do estudo de sete linhas celulares do cancro do estômago, os investigadores constataram que as células do cancro do estômago tinham níveis mais baixos de miR-506 que os tecidos saudáveis. Os níveis baixos de miR-506 foram encontrados nas linhas celulares com uma atividade invasiva mais elevada.
 
“O cancro é uma doença complexa e controlar o desenvolvimento e progressão do cancro requer abordagens integradoras. O nosso estudo sugere que o miR-506 atua como um supressor tumoral no cancro gástrico. Serão necessários mais estudos para explorar a potencial utilidade clínica do miR-506 como um biomarcador para o prognóstico do cancro gástrico e como um novo e potencial alvo terapêutico ”, conclui o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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