Cancro do esófago e doença periodontal: o que têm em comum?

Estudo publicado na revista “Infectious Agents and Cancer”

03 março 2016
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A bactéria responsável pela doença periodontal, a Porphyromonas gingivalis (P. gingivalis), pode ser um fator de risco para o carcinoma das células escamosas do esófago, sugere um estudo publicado na revista “Infectious Agents and Cancer”.
 
O esófago, o tubo muscular que é fundamental para o movimento dos alimentos desde a boca até ao estômago, é revestido por dois tipos de células, por isso é que existem dois tipos de cancro do esófago: o adenocarcinoma esofágico e o carcinoma das células escamosas do esófago. Este último é mais comum em países em desenvolvimento.
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade Louisville, nos EUA, e da Universidade de Henan, na China, testaram amostras de tecido de 100 pacientes com carcinoma das células escamosas do esófago e de 30 indivíduos de controlo.
 
Os investigadores apuraram que o P. gingivalis estava presente em 61% das amostras de tecidos cancerígenos e apenas em 12% dos tecidos adjacentes. Nos tecidos normais não foi encontrada a presença desta bactéria.
 
Na opinião de um dos autores do estudo, Huizhi Wang, estes dados fornecem a primeira evidência de que a infeção por P. gingivalis pode ser considerada um fator de risco do carcinoma das células escamosas de esófago e pode também funcionar como um biomarcador de prognóstico para este tipo de cancro. 
 
“Caso estes dados sejam confirmados indicam que a erradicação de um agente patogénico oral comum pode contribuir para a redução de um número significativo de indivíduos que sofrem do carcinoma das células escamosas de esófago”, acrescentou o investigador.
 
De forma a detetar a presença da P. gingivalis nas amostras dos tecidos, os investigadores mediram a expressão de uma enzima bacteriana, a lisina-gingipain. Foi também medido o ADN celular bacteriano nos tecidos do esófago. Tanto a enzima como o ADN estavam presentes em níveis significativamente mais elevados nos tecidos dos pacientes com carcinoma das células escamosas do esófago do que nos tecidos vizinhos ou nos saudáveis. 
 
O estudo apurou ainda que a presença da bactéria estava relacionada com outros fatores, incluindo diferenciação das células cancerígenas, metástases e taxa de sobrevivência geral. De acordo com o investigador, estes resultados podem ser explicados de duas formas: as células cancerígenas são um nicho preferencial para a bactéria prosperar ou a infeção provocada pela P. gingivalis facilita o desenvolvimento do cancro do esófago.
 
Se a primeira opção for confirmada, a utilização de antibióticos pode ser um tratamento possível. Uma outra abordagem pode envolver a utilização de tecnologia genética que tenha por alvo a bactéria e, em última análise, destrua as células cancerígenas. 
 
“Se ficar provado que a P. gingivalis causa o carcinoma das células escamosas de esófago, as implicações são enormes. Desta forma, uma melhor higiene oral pode reduzir este cancro, o rastreio da bactéria na placa dentária pode identificar os indivíduos suscetíveis e a utilização de antibióticos ou de outras estratégias antibacterianas pode impedir a progressão do carcinoma das células escamosas de esófago”, conclui, Huizhi Wang.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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