Cancro do esófago e do estômago: excesso de peso é fator de risco

Estudo publicado na revista “British Journal of Cancer”

20 fevereiro 2017
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Uma equipa de investigadores conduziu um estudo em que apurou as pessoas com excesso de peso aos 20 e tal anos e que se tornam obesas mais tarde, poderão apresentar um risco três vezes maior de virem a desenvolver cancro do esófago ou estômago.
 
Conduzido pelo Instituto Nacional do Cancro em Bethesda, EUA, o estudo contou com os dados recolhidos de mais 400.000 pessoas. Os investigadores analisaram o peso e altura declarado pelos participantes aos 20 e aos 50 anos, bem como a altura em que foi dada essa informação. 
 
Os participantes foram depois seguidos de forma a determinar quem desenvolveu cancro do esófago e do estômago. Os participantes que tinham afirmado ter excesso de peso aos 20 anos apresentavam uma possibilidade entre 60% a 80% de desenvolver aqueles tipos de cancro mais tarde, em comparação com os que mantiveram um peso saudável ao longo da vida. 
 
Os participantes que tinham engordado mais do que 20kg durante a idade adulta apresentavam o dobro da possibilidade de desenvolver cancro do esófago do que os indivíduos que tinham mantido um peso estável ao longo da vida.
 
“Este estudo demonstra que o aumento de peso ao longo da vida pode fazer aumentar o risco de desenvolver aqueles dois tipos de cancro, os quais apresentam uma hipótese de sobrevivência muito limitada”, comentou Jessica Petrick, autora principal do estudo.
 
A especialista explica a forma como o excesso de peso influencia o aumento do risco daqueles tipos de cancro: “ter excesso de peso pode desencadear problemas de refluxo e azia de longo-termo, que podem originar cancro. Isto pode também alterar os níveis de hormonas sexuais, como o estrogénio e testosterona, causar um aumento nos níveis de insulina e conduzir à inflamação, fatores estes que têm sido associados a um maior risco de cancro”.
 
Segundo dados do sítio do Instituto CUF de Oncologia, o cancro do estômago constitui a segunda maior causa de morte relacionada com o cancro em todo o mundo. Calcula-se que ocorram 650.000 mortes e 880.000 novos casos deste tipo de cancro por ano, sendo que dois terços ocorrem em países em desenvolvimento. Portugal acusa o maior número de mortes por cancro do estômago da União Europeia, e é o 6º país a nível mundial. A região Norte é a mais afetada pela doença e com a taxa mais elevada da UE.
 
Segundo ainda o Instituto CUF de Oncologia, o cancro do esófago é o 8º cancro com maior incidência a nível mundial nos dias de hoje. A incidência deste tipo de cancro varia conforme a área geográfica, a etnia e o sexo. Os países asiáticos, como a China, a Índia, o Paquistão e o Japão, apresentam as taxas mais elevadas de cancro do esófago a nível mundial. O aumento da prevalência dos fatores de risco mais importantes – obesidade e refluxo gastro-esofágico – tem provocado um aumento da incidência deste tipo de cancro. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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