Cancro do colo do útero: nova tecnologia permite deteção precoce

Tecnologia desenvolvida pelo centro de investigação Fraunhofer Portugal AICOS

05 setembro 2016
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O centro de investigação Fraunhofer Portugal AICOS, no Porto, está a desenvolver uma tecnologia que permite detetar mais precocemente patologias como o cancro do colo do útero e as doenças de chagas e do sono, em países subdesenvolvidos.
 

O rastreio precoce, mais efetivo, em áreas com carências graves na assistência médica é realizado através de funcionalidades presentes nos smartphones, para aquisição e processamento de imagem.
 

Maria Vasconcelos, a investigadora sénior do projeto, referiu à agência Lusa que “ao telemóvel é conectado um dispositivo de baixo custo que permite a aquisição da imagem com a resolução necessária. Posteriormente, as imagens são analisadas através de algoritmos de processamento de imagem e análise de dados de modo a identificar as estruturas e auxiliar os profissionais de saúde no pré-diagnóstico das respetivas doenças”.
 

As doenças de chagas e do sono, que aparecem geralmente na América Latina e África, são mortais e transmitidas às pessoas e aos animais através da mordida de pequenos insetos. O elevado número de mortes resultantes está associado a diagnósticos tardios.
 

Através desta tecnologia e com o dispositivo de baixo custo, ambas as doenças podem ser detetadas em estadios inicias, recorrendo a imagens microscópicas obtidas a partir da análise de uma amostra de sangue do paciente, detetando, dessa forma, os respetivos parasitas e permitindo o seu tratamento.
 

No caso do cancro do colo do útero, a segunda causa de morte mais frequente na mulher nos países em vias de desenvolvimento, o novo sistema utiliza o mesmo dispositivo de baixo custo para captar imagens de citologia líquida, auxiliando no pré-diagnóstico da patologia.
 

Habitualmente, a deteção desta é conseguida através de imagens citológicas resultantes de exames realizados com aparelhos especializados, "de elevado custo e não móveis", como é o caso do teste ao vírus do papiloma humano (HPV) e do Papanicolau.
 

Para a filaríase linfática, infeção parasitária que pode gerar alterações ou ruturas no sistema linfático e um crescimento anormal de certas regiões do corpo, causando dor, incapacidade e estigma social, é também utilizado o sistema de aquisição de imagens para identificar os parasitas, através de uma amostra de sangue.
 

Esta tecnologia é idêntica à que serviu de base ao projeto “MalariaScope” – uma solução capaz de pré-diagnosticar a malária –, estando agora a ser aplicada a estas doenças, que afetam "significativamente" a mortalidade em países subdesenvolvidos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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