Cancro do colo do útero: identificadas características genómicas

Estudo publicado na revista “Nature”

26 janeiro 2017
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Investigadores americanos identificaram novas características genómicas e moleculares do cancro do colo do útero que podem ajudar na subclassificação da doença e a direcionar as terapias que são mais apropriadas para cada paciente, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

No estudo os investigadores da Rede de Investigação do Atlas do Genoma do Cancro (TCGA, sigla em inglês), nos EUA, fizeram uma análise exaustiva do genoma de 178 cancros do colo do útero primários e constataram que 70% dos tumores tinham alterações genómicas numa ou nas duas vias de sinalização mais importantes.
 

O estudo, que também contou com a colaboração de investigadores do Instituto Nacional do Cancro (NCI, sigla em inglês) e Instituto Nacional de Investigação do Genoma Humano (NHGRI, sigla em inglês) que fazem parte do Instituto Nacional de Saúde, nos EUA, apurou inesperadamente que um subtipo de tumores não apresentava evidência de infeção provocada pelo vírus do papiloma humano (VPH).
 

Segundo o Instituto Nacional de Saúde, em informação veiculada na sua página da Internet, o cancro do colo do útero é responsável por mais de 500 mil novos casos de cancro e por mais de 250 mil mortes anualmente.
 

Douglas Lowy, do NCI, referiu que a grande maioria dos casos do cancro do colo do útero são causados pela infeção persistente de tipos oncogénicos de VPH. Há vários anos que existem vacinas preventivas eficazes contra as formas mais oncogénicas do VPH. De facto a vacinação pode reduzir a longo prazo o número de casos do cancro do colo do útero.
 

No entanto, a maioria das mulheres que irá desenvolver cancro do colo do útero nas próximas duas décadas já ultrapassou a idade recomendada da vacinação. Desta forma, o cancro do colo do útero ainda é uma doença que necessita de terapias eficazes.
 

No estudo os investigadores focaram-se na identificação de um conjunto único de oito cancros do colo do útero que demonstraram semelhanças moleculares com o cancro do endométrio. Verificou-se que estes cancros semelhantes ao do endométrio eram VPH-negativos, e todos eles apresentavam frequências elevadas de mutações nos genes KRAS, ARID1A e PTEN.
 

Jean-Claude Zenklusen, um dos coautores do estudo, referiu que a identificação de tumores semelhantes ao do endométrio VPH-negativos confirma que nem todos os cancros do colo do útero estão associados à infeção provocada pelo VPH e que uma pequena percentagem dos tumores do colo do útero pode ser resultante de fatores estritamente genéticos ou outros fatores.
 

Uma vez que as imunoterapias estão a tornar-se cada vez mais importantes na terapia do cancro, os investigadores analisaram os genes que codificam para alvos imunes conhecidos de forma a averiguar se algum deles estava amplificado. Verificou-se que vários destes genes tinham sido amplificados, especificamente o CD274 (que codifica a proteína PD-L1) e o PDCD1LG2 (que codifica a proteína PD-L2).
 

O estudo identificou ainda novos genes mutados no cancro do colo do útero, incluindo o MED1, o ERBB3, o CASP8, o HLA-A e o TGFBR2. Foram também identificados vários casos de fusões genéticas envolvendo o gene BCAR4, que produz um longo ARN não codificante que tem sido demonstrado induzir da resposta ao lapatinib. Este é um fármaco oral que inibe uma via importante no cancro de mama. Desta forma, o BCAR4 pode ser um potencial alvo terapêutico para o cancro do colo do útero com esta alteração.
 

Ao analisar a biologia subjacente às alterações moleculares nestes tumores, os investigadores descobriram que quase três quartos dos cancros do colo do útero apresentavam alterações genómicas numa ou em ambas as vias de sinalização PI3K / MAPK e TGF-beta, que também podem funcionar como alvos terapêuticos.
 

Os autores referem que uma questão importante levantada por este estudo é se os tumores HPV-positivos e HPV-negativo irão responder de forma diferente às terapias direcionadas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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