Cancro deve ser classificado por tipo genético ou molecular

Estudo publicado na revista “Cell”

13 agosto 2014
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O cancro deveria ser classificado de acordo com características moleculares ou genéticas em vez do tipo de tecido onde surge o tumor, atesta um estudo norte-americano.
 
Conduzido por investigadores da The Cancer Genome Atlas (TCGA), o estudo apresenta uma análise efetuada a mais de 3.500 tumores em múltiplas plataformas de tecnologia genómica. 
 
Para o estudo, a equipa comparou o ADN, o ARN e proteínas de 3.527 amostras de 12 tipos de tumor diferentes e analisou-os através de 6 plataformas de tecnologia distintas. Os resultados demonstraram que os tumores tinham mais probabilidade de serem semelhantes do ponto de vista molecular e genético, com base no tipo de célula de origem, do que com base no tipo de tecido de origem.
 
O estudo confirmou diferenças nos subtipos de cancro da mama, com uma descoberta surpreendente no tipo basal-símile, a de que este pertence a uma classe diferente das outras. Este tipo de cancro é muito agressivo. 
 
Os resultados sugerem ainda que existem pelo menos três subtipos diferentes de cancro da bexiga, um dos quais é quase igual ao adenocarcinoma do pulmão e outro é semelhante aos carcinomas espinocelulares no pulmão e cabeça e pescoço.
 
Sendo assim, a equipa considera que com o novo sistema de classificação, um em cada dez pacientes poderia receber uma classificação diferente do seu tipo de cancro e que esta proporção poderia aumentar após outro processo de análise que incidirá sobre outros tipos de tumor.
 
Segundo Chris Benz, professor no Buck Institute for Research on Aging, EUA, e autor co-correspondente do estudo, o próximo processo de análise poderá revelar 20 tipos de tumor, com base na classificação das características moleculares e genéticas ao nível celular: “estamos só a contemplar a ponta do icebergue, se considerarmos o potencial deste tipo de multiplataforma de análise genómica. 30 ou 50% dos cancros poderia necessitar de reclassificação”.
 
Chris Benz acrescenta ainda que, apesar de serem necessários estudos para aperfeiçoar esta nova proposta de classificação do cancro, esta constitui os alicerces biológicos para a esperada era de tratamento personalizado, tão ansiado pelos profissionais clínicos e pacientes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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