Cancro da próstata resistente: novo fármaco mostra-se promissor

Estudo publicado na revista “Cancer Research”

04 maio 2016
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Os homens com cancro agressivo da próstata que tenham interrompido o tratamento convencional podem potencialmente beneficiar de um novo tipo de fármaco que foi desenvolvido para ultrapassar a resistência aos fármacos, dá conta um estudo publicado na revista “Cancer Research”.
 
Os investigadores do Instituto de Investigação do Cancro, no Reino Unido, constataram que os fármacos denominados inibidores Hsp90 inativam um mecanismo utilizado habitualmente pelas células cancerígenas para resistir aos tratamentos.
 
Os inibidores Hsp90 foram desenvolvidos para atacar indiretamente o cancro, ao destabilizar as várias proteínas necessárias para o crescimento e sobrevivência das células cancerígenas. Ao destruir de uma só vez os vários sinais do cancro, estes inibidores foram concebidos para que os cancros tivessem dificuldade em escapar aos efeitos do tratamento.
 
Neste estudo, os investigadores verificaram que a inibição da Hsp90 também bloqueava a produção das formas alteradas do recetor do androgénio, retirando às células cancerígenas as suas defesas contra os tratamentos hormonais.
 
Os tumores da próstata dependem de hormonas masculinas, conhecidas como androgénios, para crescerem e se disseminarem. Assim, o bloqueio dos recetores do androgénio pode ser um tratamento eficaz. No entanto, as células cancerígenas produzem formas alteradas do recetor do androgénio que podem ser ativadas a qualquer momento sem estimulação com o androgénio.
 
O efeito da inibição da Hsp90 foi avaliado em células cancerígenas humanas que produzem a variante do recetor do androgénio mais comum, a AR-V7. Após terem crescido as células cancerígenas e terem sido injetadas em ratinhos, os investigadores verificaram que a inibição da Hsp90 reduzia a produção da AR-V7 através de um mecanismo novo e inesperado.
 
O estudo apurou ainda que a inibição da Hsp90 conduzia a uma diminuição dos níveis do recetor do androgénio normal e outras moléculas do cancro da próstata importantes conhecidas por AKT e GR.
 
"Pela primeira vez demonstrámos que os inibidores da Hsp90 podem bloquear a produção de recetores de androgénio anormais mais comuns que fazem com que muitos cancros da próstata deixem de responder aos atuais tratamentos”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos colíderes do estudo, Johann de Bono.
 
“Estes fármacos encontram-se já em ensaios clínicos para vários tipos de cancro e estou entusiasmado pelo facto de o nosso estudo sugerir que estes podem também beneficiar os pacientes com cancro da próstata que de outra forma ficariam sem opções de tratamento”, concluiu o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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