Cancro da próstata: radioterapia ou quimioterapia?

Estudo publicado na revista “Clinical Oncology”

16 maio 2016
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A radioterapia é mais eficaz que a quimioterapia para os pacientes com cancro da próstata em estadio IIa, onde um ou mais gânglios linfáticos regionais contêm células cancerosas, mas têm menos de 2 cm de diâmetro, revela um estudo publicado na revista “Clinical Oncology”.
 

Na opinião dos investigadores da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, estes achados são importantes, uma vez que existem poucas evidências sobre qual dos tratamentos contra o seminoma testicular é mais eficaz. Adicionalmente, tem havido uma tendência para escolher a quimioterapia, em detrimento da radioterapia, para o tratamento dos pacientes que se encontram no estadio IIa-b.
 

O estudo apresentado recentemente na Sociedade Europeia para a Radioterapia e Oncologia (ESTRO) 35 contou com a participação de 2.337 pacientes com seminoma testicular em estadio II, que tinham sido tratados com radioterapia ou quimioterapia após remoção do testículo canceroso. No total, 960 encontrava-se no estadio IIa da doença, 78% foi tratado com radioterapia e 22 com quimioterapia; 812 encontrava-se no estadio IIb da doença, 54% e 46% foi tratado com radioterapia e quimioterapia, respetivamente. Os restantes pacientes encontravam-se no estadio IIc, com 4% e 96% a terem sido tratados através da radioterapia e quimioterapia, respetivamente.
 

O estudo, liderado por Sushil Beriwal, apurou que 99% dos pacientes em estadio IIa da doença que foram tratados com radioterapia encontravam-se vivos cinco anos após o diagnóstico, comparativamente com 93% dos que foram submetidos à quimioterapia. Para os pacientes em estadio IIb da doença, a taxa de sobrevivência ao fim de cinco anos foi de 95%, no grupo de radioterapia, e 92%, no de quimioterapia.
 

Os investigadores verificaram que, para os pacientes com seminoma testicular em estadio IIa, estes resultados mantiveram-se inalterados após terem sido feitos ajustes que poderiam influenciar os resultados. Para pacientes com doença fase IIb, foram observadas taxas de sobrevivência semelhantes independentemente do tratamento quimioterápico ou radioterápico, o que sugere que para estes pacientes não é necessário um tratamento individualizado.
 

Um dos autores do estudo, Scott Glaser, refere que o seminoma testicular é uma doença rara, para a qual existem poucos dados capazes de orientar o tratamento adequado e muitos estudos com amostras pequenas. Desta forma, tem sido difícil encontrar pequenas diferenças entre a eficácia da radioterapia e quimioterapia.
 

Na opinião do investigador, a tendência para abandonar a radioterapia poderá estar relacionada com a falsa perceção de que este tratamento é mais tóxico que três ou quatro ciclos de quimioterapia com agentes múltiplos. No entanto, verificou-se que a radioterapia é, de facto, uma melhor opção de tratamento, apesar de não se saber ao certo o motivo.
 

Relativamente aos pacientes em estadio IIc da doença, ainda não é claro se a quimioterapia é preferível, uma vez que o risco de progressão distante é elevado. Adicionalmente, como 96% destes pacientes foram submetidos à quimioterapia é difícil fazer uma comparação com outros tratamentos.  
 

Scott Glaser acrescentou que os resultados destes estudo apoiam a recomendação de que a radioterapia é a opção de eleição para os pacientes no estadio IIa da doença. O investigador conclui que o estadio IIb é encarado como um espectro, onde pacientes com tumores de menor volume (2-3 cm num único nódulo linfático) assemelham-se àqueles que se encontram no estadio IIa da doença e, por isso, beneficiam mais da radioterapia. Por outro lado, aqueles que têm tumores de maiores dimensões (4-5 cm, que se disseminaram para múltiplos nódulos linfáticos) assemelham-se mais aos que estão no estadio IIc e, por isso, é mais benéfico serem tratados através da quimioterapia.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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