Cancro da próstata: nova mutação foi identificada

Estudo publicado nos “New England Journal of Medicine”

13 janeiro 2012
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Depois de mais de 20 anos de intensa procura, investigadores americanos identificaram uma mutação rara e hereditária que está associada a um maior risco de desenvolvimento de cancro da próstata, revela um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.

 

"É o que temos estado à procura nos últimos 20 anos", revelou em comunicado de imprensa um dos autores do estudo, William B. Isaacs. "Já se sabia há muito tempo que o cancro da próstata podia afetar famílias inteiras, mas a identificação da base genética subjacente tem sido um desafio e estudos anteriores têm fornecido resultados inconsistentes."

 

Os homens que apresentam esta mutação têm um risco de cerca de 10 a 20 vezes maior de desenvolver este tipo de cancro.

 

Para este estudo os investigadores da Johns Hopkins University School of Medicine e da University of Michigan Health System, nos EUA, utilizaram a mais recente tecnologia para sequenciar o ADN de mais de 200 genes de uma região conhecida por 17q21-22.

 

Os investigadores começaram por analisar amostras de ADN de pacientes jovens com cancro da próstata oriundos de 94 famílias que tinham vários casos de doença entre os parentes próximos, como pais, filhos e irmãos. Os membros de quatro famílias diferentes apresentavam a mesma mutação no gene HOXB13. Todos os 18 pacientes dessas quatro famílias tinham esta mutação no gene HOXB13, o qual desempenha um papel importante no desenvolvimento da próstata durante a fase fetal e na função da próstata ao longo da vida.

 

Posteriormente, os investigadores verificaram que a mutação no gene HOXB13 estava presente em 1,4% dos 5.100 homens que tinham sido tratados para o cancro da próstata Os homens que apresentavam esta mutação eram muito mais propensos a ter, pelo menos, um parente de primeiro grau do sexo masculino (pai ou irmão), que também tinham sido diagnosticados com cancro de próstata. Por outro lado, o estudo revelou que dos 1400 homens que constituíam o grupo de controlo, ou seja, não tinham cancro, só num deles foi encontrada esta mutação.

 

Adicionalmente os investigadores também analisaram dados de homens envolvidos em estudos de cancro da próstata precoce ou familiar. "Descobrimos que a mutação era significativamente mais comum nos homens com história familiar e diagnóstico precoce em comparação com homens diagnosticados mais tarde, após 55 anos de idade, sem antecedentes familiares. A diferença foi de 3,1 % contra 0,62 %”, revelou em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Kathleen Cooney.

 

Os autores do estudo concluem que a identificação desta mutação pode ajudar a melhorar o conhecimento sobre o desenvolvimento do cancro da próstata e ajudar a saber quais os homens que poderão necessitar de uma avaliação precoce para a doença.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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