Cancro da próstata: nova classe de fármacos desenvolvidos

Estudo publicado na “Nature Communications”

31 maio 2013
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Investigadores americanos desenvolveram uma nova classe de fármacos contra o cancro da próstata, refere um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Nos homens com cancro da próstata avançado, o crescimento das células cancerígenas depende da sinalização do recetor de androgénio, que é ativado por androgénios, tal como a testosterona. De forma a impedir o crescimento dos tumores, a maioria dos pacientes com cancro da próstata é tratada com fármacos que bloqueiam a produção de androgénio ou do seu recetor. Infelizmente, estes tratamentos invariavelmente falham e os pacientes morrem, com o recetor de andrógeno ainda ativo e a promover o crescimento tumoral.
 

Neste estudo, os investigadores da University of Texas Southwestern Medical Center, nos EUA, descobriram que podiam interromper a sinalização via recetor do androgénio através da utilização de uma nova classe de fármacos conhecidos por peptidomiméticos.
 

Estes agentes terapêuticos consistem numa cadeia de pequenas proteínas desenhadas para mimetizar os peptídeos que são essenciais para a função do recetor do androgénio. Estes agentes bloqueiam a atividade do recetor do androgénio, mesmo na presença da hormona, atacando a proteína em diferentes locais onde o androgénio se associa.
 

Os investigadores liderados por Ganesh Raj comparam este mecanismo ao da chave e fechadura. No cancro da próstata, o recetor de androgénio (a fechadura) é ativado pelo androgénio (a chave) o que resulta num sinal que provoca a proliferação do cancro da próstata. No cancro da próstata avançado, apesar de os fármacos terem como alvo tanto a fechadura como a chave, podem haver chaves distorcidas que consigam abrir a fechadura ou fechaduras mutadas que estão sempre abertas o que resulta na proliferação das células cancerígenas.
 

Em vez de tentarem bloquear a fechadura ou a chave, os peptidomiméticos quebram a ligação entre o mecanismo de chave fechadura e a proliferação do sinal. Deste modo, mesmo que o recetor seja ativado, as células cancerígenas não recebem o sinal para proliferar e não crescem.
 

Experiências realizadas em animais e em modelos de tecido humano demonstraram que os peptidomiméticos não são tóxicos e impedem a sinalização do recetor do androgénio nas células cancerígenas. Esta reposta altamente promissora sugere que estes agentes poderão funcionar como uma nova e eficaz abordagem terapêutica para os homens com cancro da próstata avançado.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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