Cancro da próstata: mutação no gene BRCA2 diminui sobrevivência

Estudo publicado no “Journal of Clinical Oncology”

12 abril 2013
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O cancro da próstata dissemina-se mais rapidamente e é mais frequentemente fatal nos homens que herdam uma mutação no gene BRCA2, sugere um estudo no “Journal of Clinical Oncology”.
 

Os genes BRCA1 e BRCA2 ajudam a suprimir os tumores e a proteger o ADN. No entanto, as mutações nestes genes impedem-nos de levar a cabo estas funções. As mutações nestes genes foram originalmente identificadas nos pacientes com cancro da mama, mas posteriormente foi verificado que estas mutações também aumentavam o risco de cancro do ovário e próstata.
 

O estudo refere que não é fácil no momento do diagnóstico do cancro da próstata determinar se este é do tipo mais agressivo. Assim, apesar de as opções de tratamentos nos estádios iniciais da doença incluírem a cirurgia e a radioterapia, a tendência é colocar os pacientes sob uma vigilância apertada para acompanhar o desenvolvimento da doença.
 

De forma a identificar marcadores genéticos capazes de fornecer informações sobre a evolução da doença, os investigadores do Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas, em Espanha, e do The Institute of Cancer Research, no Reino Unido, analisaram os registos médicos de mais de 2.000 pacientes com cancro da próstata. No total, 61 dos pacientes apresentavam mutações no gene BRCA2, 18 no gene BRCA1 e 1.940 não apresentavam mutações em nenhum dos genes.
 

Os investigadores constataram que em comparação com os indivíduos que não apresentavam mutações, aqueles que apresentavam mutações tinham um risco maior de serem diagnosticados com cancro numa fase mais avançada (37% versus 28%) ou cancro que já se tinha disseminado (18% versus 9%).
 

O estudo também apurou que nos pacientes em que o cancro ainda não se tinha disseminado, cinco anos após o diagnóstico, começava a disseminar-se em 23% dos pacientes com mutações comparativamente com 7% dos indivíduos sem mutações.
 

Os investigadores, liderados por Ros Eeles, constataram que os indivíduos portadores de mutações no gene BRCA2 viviam apenas 6,5 anos, enquanto os pacientes sem esta mutação viviam, em média, 12,9 anos após o diagnóstico.
 

“Este estudo demonstra que os médicos devem considerar o tratamento dos pacientes com cancro da próstata e com o gene BRCA2 mutado, muito mais cedo do que se faz atualmente, em vez de esperar que a doença se desenvolva”, revelou em comunicado de imprensa, a responsável pela comunicação do Cancer Research, no Reino Unido, Julie Sharp.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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