Cancro da próstata: identificado novo subgrupo de genes

Investigação divulgada na “Nature Genetics”

27 maio 2015
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Uma equipa multinacional de cientistas revelou ter traçado um retrato molecular completo do cancro da próstata, desvendando um novo subgrupo de genes que está por detrás desta doença.
 
O cancro da próstata pode variar de indivíduo para indivíduo, apesar de se apresentar como uma única patologia sob o microscópio. Um indivíduo pode possuir diferentes tipos de tumor na próstata, revela Robert Bristow, um dos autores do estudo. “Estes subtipos podem ser importantes para determinar a resposta à cirurgia ou radioterapia entre pacientes”, esclarece.
 
No estudo levado a cabo pelo Centro Oncológico Princesa Margarida, no Reino Unido, e pelo Instituto de Investigação do Cancro de Ontário, no Canadá, participaram 74 pacientes com tumores com classificação de Gleason de 7 (classificação utilizada para avaliar a agressividade dos tumores da próstata). Destes foram sequenciadas 23 amostras de tumores múltiplos de cinco pacientes, cujas próstatas foram removidas através de cirurgia. Ao analisar geneticamente cada foco de cancro de cada próstata, os investigadores puderam atribuir níveis de agressividade a cada tumor, o que revelou que até pequenos tumores podem conter células agressivas capazes de alterar o prognóstico de um paciente.
 
Numa análise mais detalhada, foi possível identificar dois tipos de genes cancerígenos da família MYC envolvidos na evolução da doença. Um destes tipos de gene, o C-MYC, foi considerado responsável pela agressividade da doença. O outro, o L-MYC, já era conhecido por estar implicado no cancro de pulmão e noutros.
 
De acordo com Bristow, cerca de metade dos pacientes com cancro da próstata possuem as mutações C-MYC ou L-MYC, mas nunca as duas em simultâneo.
 
“Ao mostrar que as mutações no cancro da próstata podem variar espacialmente em diferentes regiões de um tumor, este estudo irá ajudar no desenvolvimento de novos testes de diagnóstico que irão melhorar o tratamento, permitindo que este seja mais personalizado”, referiu Paul Boutros, investigador do Instituto de Investigação do Cancro de Ontário.
 
Estes achados permitem que os cientistas estejam cada vez mais perto de classificar o cancro da próstata em diferentes subtipos, tendo por base o tipo de gene presente. Isto irá permitir determinar a agressividade do cancro em termos do risco de este se disseminar para além da próstata durante a fase de tratamento.
 
A expectativa de Bristow e seus colegas é conseguirem transformar estes resultados num teste clínico, nos próximos anos, para que tanto médicos como pacientes possuam informação que lhes permita decidir acerca de tratamentos especializados para cada caso de cancro da próstata.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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