Cancro da mama: uma possível explicação para as recidivas

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

18 novembro 2016
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Nos pacientes com cancro da mama, as células malignas tumorais residuais dormentes que resistem aos tratamentos voltam a crescer após o tratamento inicial. O estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences” dá conta de que estas células tumorais dormentes podem ter-se tornado latentes por ingerirem as células estaminais do organismo.
 
Enquanto ensinavam as células estaminais mesenquimais/estromais (MSCs, sigla em inglês), células adultas estaminais da medula óssea, a combater o cancro, os investigadores da Universidade do Texas A&M, nos EUA, repararam que estas células desapareciam das culturas de células.
 
Após terem inicialmente pensado que se tratava de um erro laboratorial, os investigadores constataram que as células da mama cancerígenas estavam a cometer um ato de canibalismo para com as células estaminais. Observou-se também que as células que tinham ingerido as células estaminais ficaram dormentes, mas muito mais difíceis de matar. 
 
Na opinião dos investigadores, se as células estaminais no organismo se comportarem da mesma forma, tal poderá explicar a recidiva do cancro da mama.
 
O estudo apurou que as células cancerígenas que tinham ingerido as MSCs eram altamente resistentes à quimioterapia e à privação de nutrientes, que matam eficazmente outras células cancerígenas. Devido à sua quantidade reduzida, estas células sobreviventes não são detetadas através dos métodos de rastreio. Assim, na existência de condições favoráveis, elas acordam e começam a crescer de novo e, como são resistentes ao tratamento, estas recidivas são muito difíceis de combater. 
 
Os cientistas têm esperança de que, como agora existe um possível mecanismo para as recidivas, possa ser identificado um tratamento que mantenha estas células canibais dormentes.
 
Adicionalmente, poderá ser possível desenvolver um fármaco que impeça as células cancerígenas de ingerirem as MSCs.  
 
Os investigadores estão também a explorar a possibilidade de alimentar as células cancerígenas com agentes tóxicos, utilizando as MSCs como um veículo. 
 
Thomas J. Bartosh, um dos autores do estudo, concluiu que se estes achados forem aplicados aos seres humanos, as implicações para os pacientes serão enormes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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