Cancro da mama triplo negativo: rastreio do recetor da prolactina é benéfico

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

27 outubro 2016
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Investigadores do Canadá sugerem que o rastreio das pacientes com cancro da mama para o recetor da prolactina pode melhorar o prognóstico e ajudar a evitar tratamentos desnecessários e invasivos, dá conta um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 
O cancro da mama triplo negativo é um tumor negativo para o recetor do estrogénio, progesterona e HER2-negativo. Suhad Ali, líder do estudo, explicou que este tipo de cancro mama é o mais agressivo e difícil de tratar. Apesar de o prognóstico e as opções de tratamento terem melhorado para os outros tipos de cancro da mama, o mesmo não acontece para o cancro triplo negativo. Na verdade, as mulheres afetadas por este cancro ainda têm opções de tratamento limitadas e necessitam frequentemente de quimioterapia invasiva, apresentando também um mau prognóstico.
 
Isto acontece pois os cancros triplo negativo são diversos e não se comportam da mesma forma em todas as pacientes, algo que a comunidade científica ainda não compreendeu completamente.
 
Contudo, os investigadores da Universidade McGill, no Canadá, parecem ter encontrado a chave para todo este mistério. Ao utilizarem uma base de dados de 580 mulheres com cancro da mama triplo negativo, os investigadores constataram que as mulheres com tumores que expressavam o recetor da prolactina tinham um cancro menos agressivo e um melhor prognóstico.
 
Experiências realizadas num modelo de ratinho pré-clínico demonstraram que, na ausência do recetor da prolactina, as células tumorais, para além de serem mais agressivas, proliferavam e eram mais invasivas do que aquelas que expressavam o recetor. 
 
Os resultados sugerem que o rastreio deste recetor pode indicar pacientes que podem beneficiar da prolactina como tratamento único ou em combinação com quimioterapia menos agressiva.
 
Na opinião de Ali, estes novos achados podem revolucionar o desenvolvimento de novos tratamentos para o cancro.
 
O papel da prolactina no cancro da mama não está completamente caraterizado e é ainda controverso. Uma melhor compreensão do seu papel no cancro poderia ter um impacto direto no aconselhamento da amamentação como medida de proteção para as mulheres com elevado risco de desenvolver cancro da mama. 
 
Suhad Ali conclui que estes resultados vão ao encontro da ideia de que a amamentação não é apenas benéfica para as crianças, mas também para as mães. Uma vez que a amamentação é uma forma natural de produzir de prolactina em níveis elevados, a amamentação pode realmente reduzir o risco de desenvolver cancro da mama.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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