Cancro da mama triplo negativo agressivo: descoberta promissora

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

31 março 2015
  |  Partilhar:

O chamado cancro da mama triplo negativo consiste na realidade em duas doenças distintas, que têm provavelmente origem em diferentes tipos de células, descobriu uma equipa de investigadores.


A equipa do Instituto de Estudos Clínicos Garvan em Sydney, Austrália, poderá ter encontrado a explicação para o facto de as possibilidades de sobrevivência nas mulheres com este tipo de cancro sou ou muito boas ou muito más.  
 


Alex Swarbrick e Simon Junankar, investigadores daquele instituto, identificaram um gene que desencadeia a forma agressiva da doença e espera encontrar uma forma de o “desligar”. Tudo indica que a forma agressiva do cancro da mama triplo negativo se desenvolve a partir de células estaminais e a forma menos agressiva da doença a partir de células especializadas. As células estaminais são flexíveis e conseguem proliferar e espalhar-se para outros tecidos, que são características fatais no cancro.


Neste novo estudo, foi demonstrado que um gene conhecido como “inibidor da diferenciação4 (ID4)) determina se uma célula estaminal permanece nesse estado ou se irá evoluir para uma célula especializada. Quando os níveis elevados de ID4 numa célula estaminal são “desligados”, são “ligados” outros genes que promovem a especialização da célula.


Não se sabe ao certo o mecanismo que leva as células estaminais a amadurecerem para células diferenciadas. As células estaminais da mama são necessárias para o desenvolvimento da mesma na puberdade e gravidez.


Este estudo interdisciplinar liga o desenvolvimento da glândula mamária em ratinhos ao cancro da mama agressivo em seres humanos. “Descobrimos que o ID4 é produzido em alta quantidade em cerca de metade de todos os cancro da mama triplo negativos e que esses cancros apresentam um prognóstico particularmente mau”, explica Alex Swarbrick. “Demonstrámos também que se bloquearmos o gene ID4 em modelos experimentais de cancro da mama triplo negativo, as células do tumor deixam de se dividir”, continua.


Mais, o bloqueio do ID4 faz ligar o recetor de estrogénio e inúmeros outros genes que são expressados pelo cancro da mama com o melhor prognóstico. “Os cancros da mama positivos para os recetores de estrogénio oferecem um prognóstico relativamente bom porque o fármaco Tamoxifen é muito eficiente a bloquear o recetor de estrogénio e dessa forma o seu crescimento”, acrescenta Alex Swarbrick


Deste modo “especulamos que assim, ao bloquear o ID4 será possível tornar os cancros da mama de tipo células estaminais em cancros da mama menos agressivos que possam mesmo responder ao Tamoxifen. Se estivermos corretos isso será algo notável”.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.