Cancro da mama: tratamento conjugado mostra-se promissor

Estudo publicado na revista “Molecular Endocrinology”

12 setembro 2016
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Investigadores americanos descobriram por que motivo algumas pacientes com cancro da mama positivo para o recetor do estrogénio não respondem ao fármaco tamoxifeno, dá conta um estudo publicado na revista “Molecular Endocrinology”.
 

Os cientistas da Universidade de Illinois, nos EUA, descobriram que os pacientes que têm níveis mais elevados de vários genes transportadores nucleares, particularmente a proteína XPO1, são mais propensos a resistir ao tamoxifeno, resultando no desenvolvimento de cancro metastático incurável.
 

Contudo, a combinação do tamoxifeno como o fármaco selinexor, que inibe a atividade da XPO1, aumenta a sensibilidade ao tamoxifeno e impede que os tumores da mama reapareçam.
 

Os cancros da mama positivos para o recetor do estrogénio são responsáveis por cerca de 70% de todos os casos clínicos do cancro da mama. Neste tipo de cancro, o núcleo das células cancerígenas produz uma proteína em excesso que se liga e cresce em resposta ao estrogénio. O tamoxifeno, que tem sido amplamente utilizado desde os anos 70, bloqueia este processo restringindo o crescimento e disseminação das células cancerígenas.
 

No entanto, até um terço dos pacientes com cancro da mama hormonossensível não respondem de forma eficaz ou, eventualmente, param de responder ao tamoxifeno, o que constitui uma condição conhecida como resistência endócrina.
 

Estudos anteriores já tinham identificado que a hormona ERa era capaz de ativar e regular a cinase ERK5, uma proteína que retransmite os sinais de fora das células para os seus núcleos, desencadeando o aumento da proliferação celular ou a metástase.
 

Com base nestes achados, os investigadores, liderados por Zeynep Madak-Erdogan, colocaram a hipótese de os genes transportadores nucleares, particularmente o XPO1, estarem envolvidos na exportação da ERK5 do núcleo das células, promovendo tumores invasivos e agressivos.
 

Através da análise de genes que eram expressos de forma diferente nos tumores positivos e negativos para a Era, os investigadores identificaram 13 genes que se encontravam excessivamente expressos nos tumores da mama mais agressivos e mais difíceis de tratar.
 

O estudo apurou que a expressão aumentada da XPO1 diminuía o tempo de sobrevivência, acelerava o aparecimento de metástases e as células tumorais endocrinorresistentes proliferavam mais rapidamente quando tratadas com tamoxifeno.  
 

De forma a mimetizarem a resistência endócrina, os investigadores colocaram a crescer células sensíveis ao tamoxifeno de 33 pacientes numa solução de tamoxifeno ao longo de 100 semanas. Após terem analisado a atividade da ERK5, constataram que o transporte desta proteína para o núcleo diminuía à medida que a resistência endócrina progredia.
 

Contudo, quando trataram os tumores resistentes ao tamoxifeno com um inibidor do XPO1, o selinexor, conjuntamente com o tamoxifeno, foi possível bloquear completamente a progressão do tumor. “Mesmo semanas após o tratamento não observamos qualquer recidiva no tumor”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

“Se utilizarmos esta combinação, atingindo os recetores de estrogénio com o tamoxifeno, e XPO1 com o inibidor selinexor, podemos retardar o desenvolvimento da resistência do sistema endócrino, matando eficazmente as células tumorais e, ao mesmo tempo, reduzindo a dose de tamoxifeno necessária”, concluiu Zeynep Madak-Erdogan.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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