Cancro da mama: sobreviventes propensas a aumento de peso

Estudo divulgado na “Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention”

31 julho 2015
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Sobreviventes do cancro da mama com antecedentes familiares da doença aumentaram mais de peso no período de quatro anos do que mulheres que nunca tiveram cancro da mama, revela um estudo levado a cabo por cientistas da Centro Kimmel do Cancro, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA.
 

Estudos anteriores demonstram que sobreviventes de cancro da mama que aumentam de peso podem ter um risco acrescentado de reaparecimento de cancro. Além disso, o aumento de peso de mais de cinco quilos foi associado a maior risco de doença cardíaca.
 

Para a investigação, os cientistas norte-americanos reviram um questionário inicial e outro realizado quatro anos mais tarde, em que participaram 303 sobreviventes de cancro da mama e 307 mulheres que nunca tiveram cancro. Um quarto das participantes encontrava-se em pré-menopausa.
 

Durante os quatro anos, as sobreviventes aumentaram consideravelmente mais de peso – cerca de 1,5 quilos em média – do que as mulheres que nunca tiveram cancro. De entre as sobreviventes, 21% aumentou pelo menos cinco quilos, enquanto apenas 11% das mulheres que nunca tiveram cancro registaram um aumento semelhante.
 

O estudo revela ainda que as mulheres que realizaram quimioterapia apresentavam 2,1 vezes mais probabilidades de aumentar pelo menos cinco quilos de peso durante o período do estudo do que aquelas que não tinham tido cancro.
 

“O nosso estudo sugere que a quimioterapia pode ser um dos fatores que contribuem para o aumento de peso entre as sobreviventes”, afirma Kala Visvanathan, uma das autoras da investigação.
 

Os cientistas descobriram também uma elevada prevalência de mulheres com excesso de peso entre o grupo de sobreviventes (46,9%) e das mulheres sem cancro mas com antecedentes familiares da doença (55,1%).
 

Além disso, sobreviventes diagnosticadas com a doença cinco anos antes da primeira pesagem e que tiveram doença invasiva e células cancerosas sem recetores de estrogénio aumentaram em média cerca de três quilos a mais do que as mulheres sem cancro.
 

Sobreviventes submetidas a quimioterapia e que utilizaram estatinas também aumentaram mais de peso – cerca de cinco quilos a mais em média – do que as mulheres sem cancro que também usaram essa medicação e do que aquelas que usaram fármacos bloqueadores de colesterol.
 

De acordo com os autores, os resultados deste estudo vão no sentido de confirmar evidências crescentes de que a quimioterapia pode conduzir ao aumento de peso de sobreviventes de cancro, embora não seja ainda claro por que razão isso acontece.
 

Os investigadores continuam a seguir as participantes deste estudo a cada três ou quatro anos para perceber de que forma o peso destas mulheres varia ao longo de um período mais longo de tempo.
 

Visvanathan adverte, contudo, que os achados deste estudo não pretendem sugerir a necessidade de realizar qualquer tipo de intervenção em relação ao aumento de peso durante a quimioterapia.
 

“Estamos, no entanto, a sugerir que oncologistas, internistas ou qualquer outro que trate sobreviventes de cancro da mama, incluindo aquelas com antecedentes familiares da doença, poderão ajudá-las a monitorizar o peso a longo prazo”, acrescenta a cientista.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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