Cancro da mama representado em obras de arte

Conferência organizada pelo Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro

07 março 2014
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Helena Saldanha, professora catedrática da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, mostra a representação da mulher com cancro da mama a partir de obras de arte, numa conferência a decorrer amanhã, no Museu Machado de Castro, em Coimbra.
 

"Há obras em que é indiscutível a presença de tumores", disse à agência Lusa Helena Saldanha, que irá realizar uma conferência no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher, organizadas pelo núcleo do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC).
 

A professora e médica encontra na pintura barroca "As Três Graças", do artista flamengo Peter Paul Rubens, "todos os sinais de um cancro da mama em estado avançado" numa das mulheres desse mesmo quadro, em que o inchaço na axila indica uma invasão do cancro, disse à agência Lusa.
 

Esta foi a "época em que a medicina se começou a desenvolver, em que o Homem era considerado o centro do universo e em que houve uma maior atenção ao corpo humano, sem o querer transformar em estátuas greco-romanas", disse Helena Saldanha, convicta de que Rubens pintou "de forma consciente o tumor da mulher" representado na pintura.
 

Antes do século XVI, segundo a catedrática, o corpo "surgia sem defeitos", encontrando-se depois "uma aproximação à realidade" em Rubens ou no pintor italiano Rafael, que representa o cancro da mama num retrato da sua amante, Marguerita Luti.
 

Outros artistas mais recentes abordam o tema, como Picasso, em que numa das suas obras se observa uma mastectomia, ou o francês Marcel Duchamp, do início do século XX, "numa obra pouco conhecida", com uma legenda por cima da mama a dizer "por favor, toque", remetendo para a prevenção, sublinhou.
 

Para além do diagnóstico e da terapêutica, Helena Saldanha irá recorrer a quadros de natureza morta para referir a necessidade de "uma alimentação adequada" e a pinturas que retratam a obesidade ou a magreza excessiva.
 

Tudo para "chamar a atenção para um diagnóstico precoce e um estilo de vida saudável", frisou Helena Saldanha, considerando que "é necessário que a mulher conheça o seu corpo e que a mãe ensine a filha a conhecer a sua própria mama e a palpar-se regularmente".
 

"A mama tem uma simbologia que foi sempre ilustrada ao longo da História. A mama está correlacionada com a fertilidade, com o erotismo, com a vida, mas também com o sofrimento", concluiu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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