Cancro da mama: quimioterapia poderia ser evitada em metade dos casos

Estudo europeu

27 abril 2016
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Cerca de metade dos pacientes com cancro da mama encaminhados para quimioterapia poderia não ser submetido a este tipo de tratamento invasivo, caso o tumor fosse alvo de um teste genómico que já existe em Portugal.
 

Um estudo europeu que acompanhou mais de 6.600 pacientes com cancro da mama em nove países europeus, durante mais de cinco anos, concluiu que o teste “MammaPrint” permite poupar a quimioterapia a 46% dos casos de doentes com cancro da mama precoce que, pelos critérios tradicionais, a fariam.
 

De acordo com a médica e investigadora principal do estudo, Fátima Cardoso, a comunidade científica tem consciência que uma grande percentagem de doentes com cancro da mama precoce é sobretratada.
 

Isto deve-se ao facto de o cancro da mama só ser curável em fase precoce, uma vez que quando aparecem metástases (doença à distância ou recidiva) a doença torna-se incurável. Por essa razão, em caso de dúvida sobre o risco de recidiva, os médicos preferem fazer quimioterapia.
 

Uma questão crucial é como identificar os tumores precoces com um risco de recidiva tão baixo que permita prescindir de quimioterapia.
 

“Na prática clínica, decide-se se a quimioterapia será necessária ou não baseada em caraterísticas patológicas do tumor e características do doente. Mas há casos de tumores com as mesmas caraterísticas, que recebem o mesmo tratamento, mas cujo comportamento é completamente diferente. Ou seja, existem outras características que são fundamentais para o risco de recidiva”, explicou à agência Lusa a investigadora da Fundação Champalimaud Fátima Cardoso.
 

Foi utilizada uma nova tecnologia para analisar o genoma do tumor, traçar uma espécie de bilhete de identidade, olhando para os seus 44 mil genes e tentando encontrar caraterísticas que diferenciem entre baixo e alto risco de recidiva.
 

Descobriu-se uma assinatura de 70 genes (MammaPrint) que permite fazer essa distinção. O estudo avaliou este novo teste em associação aos critérios patológicos e clínicos tradicionais.
 

Avaliou-se o risco de recidiva das 6.600 doentes do estudo pela forma tradicional e também com o novo teste genómico MammaPrint.
 

Quando os dois métodos indicavam que o tumor era de elevado risco, encaminhava-se o doente para quimioterapia. Quando a indiciação de ambos era de risco baixo, não se aplicava quimioterapia.
 

Em caso de discordância na resposta dada pelos dois métodos – o que acontece em cerca de um terço dos casos – os investigadores propuseram perceber qual devia ser o método seguido.
 

“O estudo concluiu que quando os critérios tradicionais indicam alto risco, mas o teste genómico diz baixo risco não precisamos de fazer quimioterapia. Na verdade, permite poupar quimioterapia a 46% de pessoas que normalmente fariam quimioterapia pelos critérios tradicionais”, referiu Fátima Cardoso.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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