Cancro da mama: probióticos podem ser benéficos?

Investigação publicada na revista “Applied and Environmental Microbiology”

29 junho 2016
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As mulheres com cancro da mama têm bactérias que podem promover este tipo de cancro. Por outro lado, as mulheres saudáveis apresentam uma maior quantidade de bactérias benéficas. O estudo publicado na revista “Applied and Environmental Microbiology” sugere assim que a toma de probióticos poderá, em última análise, proteger contra o cancro da mama.
 

Para o estudo os investigadores liderados por Gregor Reid, da Universidade de Western, no Canadá e diretor do Instituto de Investigação de Saúde Lawson, no Reino Unido, recolheram amostras de tecidos mamários de 58 mulheres que tinham sido submetidas a lumpectomias ou mastectomias devido à presença de tumores benignos ou malignos. Foram também analisadas amostras provenientes de 23 mulheres saudáveis. As amostras foram sequenciadas de forma a identificar a presença de bactérias nos tecidos, e cultivadas para confirmar a presença de organismos vivos.
 

O estudo apurou que as mulheres com cancro da mama apresentavam níveis elevados de Escherichia coli e Staphylococcus epidermidis, bactérias que são conhecidas por induzir ruturas na cadeia dupla do ADN nas células HeLa, que são células humanas cultivadas.
 

As ruturas na cadeia dupla são o tipo de danos mais prejudicial do ADN e são causadas por genotoxinas, espécies reativas de oxigénio e radiação ionizante. O mecanismo de reparação deste tipo de ruturas é muito propenso a erros e estes podem conduzir ao desenvolvimento do cancro.
 

Por outro lado, verificou-se que as bactérias benéficas, Lactobacillus e Streptococcus, estavam presentes em maior quantidade nas mamas das mulheres saudáveis, comparativamente com as pacientes com cancro. Estes dois géneros de bactérias têm propriedades anticancerígenas. Os investigadores referem que, por exemplo, as células NK desempenham um papel importante no controlo do crescimento dos tumores e que um nível baixo destas células imunitárias está associado a uma maior incidência de cancro da mama. O Streptococcus thermophilus é capaz de produzir antioxidantes que neutralizam as espécies reativas de oxigénio, que causam danos no ADN e consequentemente cancro.
 

Gregor Reid refere que este estudo foi motivado pelo facto de o cancro da mama diminuir com a amamentação. Uma vez que o leite materno contem bactérias benéficas, os investigadores questionaram-se se estas poderiam desempenhar um papel importante na diminuição do risco do cancro. Ou se, por outro lado, existiriam bactérias que influenciavam a formação do cancro nas glândulas mamárias das mulheres que nunca tinham sido amamentadas.
 

Contudo, a amamentação pode não ser necessária para melhorar a flora bacteriana nas mamas. Estudos realizados por investigadores espanhóis demonstraram que a ingestão de Lactobacillus pode atingir as glândulas mamárias.
 

De acordo com o investigador, estes estudos levantam a seguinte questão: será que as mulheres, especialmente as que estão em risco de cancro da mama, deveriam tomar Lactobacillus de forma a aumentar a proporção de bactérias benéficas nas mamas?
 

Gregor Reid refere ainda que para além de combater o cancro diretamente, é possível aumentar a abundância de bactérias benéficas relativamente às prejudiciais através de probióticos. Por outro lado, a toma de antibióticos que tenham por alvo as bactérias que induzem o cancro pode ser outra opção para melhorar o controlo do cancro da mama.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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