Cancro da mama pode ser detetado na urina?

Estudo publicado no “BMC Cancer”

15 junho 2015
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Investigadores alemães desenvolveram um método capaz de detetar o cancro da mama em amostras de urina, dá conta um estudo publicado no “BMC Cancer”.
 

Cerca de 1,7 milhões de mulheres, em todo o mundo, sofre de cancro de mama. Até à data, o diagnóstico deste tipo de tumor, o mais comum nas mulheres, é feito através de mamografia ou ecografia e confirmado com amostras de tecido mamário. No entanto, estes métodos têm sido alvo de críticas recorrentes devido à exposição à radiação, falsos positivos, e o fato de serem procedimentos invasivos.
 

De forma a tentar ultrapassar estes problemas, os investigadores da Universidade de Freiburg, na Alemanha, desenvolveram um método que envolve determinação da concentração de moléculas que regulam o metabolismo celular e que se encontram frequentemente desreguladas nas células cancerígenas.
 

No estudo, os investigadores mediram na urina a concentração de nove destas moléculas, denominadas por microARN. Verificou-se que a concentração de quatro destas moléculas diferia entre as mulheres saudáveis e as mulheres com cancro da mama.
 

“Descobrimos que o perfil dos microARNs está modificado de uma forma característica na urina das mulheres com cancro da mama. Os microARNs devem, portanto, ser adequados para o teste do cancro da mama.Com a ajuda dos perfis de microARNs, os investigadores foram capazes de determinar com uma precisão de 91% se uma mulher era saudável ou doente. O nosso método conduziu, portanto, a um diagnóstico de elevada precisão", referiu, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Elmar Stickeler.
 

O estudo inclui a participação de 24 mulheres saudáveis e 24 mulheres que tinham sido recentemente diagnosticadas com cancro da mama no estadio 1, 2 ou 3. Os resultados necessitam agora de ser comprovados num estudo de maior escala.
 

"A grande vantagem do método é que apenas são necessários alguns mililitros de urina", referiu o investigador. Isto torna o processo de diagnóstico muito atrativo para medições contínuas, por exemplo, para monitorizar o sucesso do tratamento.
 

"O método poderá encorajar mais mulheres a proceder a um exame deste tipo, o que nos permite detetar o cancro da mama mais cedo. Quanto mais cedo for detetado, melhor o podemos tratar. Atualmente a doença é tratável na maioria dos casos, se for detetada precocemente," conclui Elmar Stickeler.
 

Após o diagnóstico, o tecido maligno é geralmente removido através de cirurgia. Contrariamente ao que acontecia no passado, os médicos atualmente não têm que remover a mama. A operação é muitas vezes acompanhada por quimioterapia, terapia anti-hormonal ou terapia com anticorpos. No caso de tumores inoperáveis, as pacientes podem ser submetidas a terapia de radiação de alta precisão.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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