Cancro da mama: novo alvo terapêutico identificado

Estudo publicado na revista “EBioMedicine”

04 fevereiro 2015
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Investigadores americanos identificaram uma relação entre o tipo de cancro da mama mais agressivo e um gene que regula o processo de reciclagem natural do organismo conhecido por autofagia, dá conta um estudo publicado na revista “EBioMedicine”.
 

Com base na análise de duas das maiores bases de dados, os investigadores do Centro Médico da Universidade do Texas, nos EUA, constataram que a reduzida atividade de um gene envolvido na autofagia, o beclin 1, está associado a uma incidência mais elevada de cancro da mama triplo negativo e a um pior prognóstico para as pacientes com cancro da mama.
 

De acordo com os investigadores, este é o primeiro estudo que demonstra a relação entre o gene beclin 1 e o cancro da mama triplo negativo. “Identificámos potencialmente uma nova via alvo para o tipo de cancro da mama mais agressivo e mais difícil de tratar”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Beth Levine.
 

O cancro da mama triplo negativo, responsável por 10 a 20% dos cancros de mama, é assim denominado porque as células cancerígenas não expressam os recetores de estrogénio, da progesterona e o recetor do fator de crescimento humano 2 (HER2) à sua superfície. A eficácia da quimioterapia tem sido limitada no tratamento deste tipo de cancro.
 

Neste estudo, os investigadores analisaram a expressão do gene beclin 1 e do BRCA1, associado ao cancro da mama hereditário, em 3.057 casos de cancro da mama. Os investigadores já sabiam que em cerca de 35% de todos os cancros da mama faltavam cópias dos dois genes. De forma a tentar averiguar qual era o mais importante, os investigadores mediram os níveis de expressão dos dois genes e a forma como estes estavam relacionados com as diferentes características clínicas do cancro da mama. “As associações mais fortes foram observadas entre uma baixa expressão do gene beclin 1, não do BRCA1, e características clínicas adversas”, acrescentou a investigadora.
 

Para além do aumento de 35% do risco de desenvolver cancro da mama triplo negativo, o estudo demonstrou que os níveis da atividade do beclin 1 também estavam associados a um pior prognóstico. As pacientes com cancro da mama e com uma expressão baixa do beclin 1 apresentavam um risco 67% maior de morrerem de cancro da mama, comparativamente com aquelas com níveis de expressão de beclin 1 mais elevados.
 

Deste modo, o aumento da atividade do beclin 1 pode tornar-se numa nova terapia contra o cancro da mama, especialmente para o cancro da mama triplo negativo.
 

O beclin 1 é já alvo de quatro classes de fármacos aprovados para outros tipos de cancro. Assim, os investigadores sugerem que são necessários mais estudos para averiguar se estes fármacos podem também salvar as vidas dos pacientes com cancro da mama.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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