Cancro da mama: nova forma de o combater?

Estudo publicado no “Journal of Biological Chemistry”

30 novembro 2016
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Investigadores americanos demonstraram que as células do cancro da mama utilizam processos diferentes para produzir energia, comparativamente com as células saudáveis, dá conta um estudo publicado no “Journal of Biological Chemistry”.
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade Thomas Jefferson, nos EUA, focaram-se na função metabólica do cancro, tendo analisado uma proteína que já sabiam que alterava o metabolismo das células do cancro da mama. A proteína TIGAR diminui a capacidade da célula de produzir energia através da via bioquímica mais comum, a conversão de açúcar em energia via glicólise.
 
Contudo, até à data não se conhecia ao certo como esta alteração no metabolismo alterava a célula cancerígena ou como a célula estava a receber energia necessária para sobreviver.
 
Através de várias experiências realizadas em células e ratinhos, os investigadores demonstraram que as células do cancro da mama com níveis de proteína TIGAR mais elevados do que o normal eram mais agressivas que as células cancerígenas da mama com níveis normais desta proteína. 
 
O estudo apurou que quando as células expressavam a TIGAR, trocavam a via metabólica e tornavam-se dependentes da mitocôndria para a produção de energia. Na verdade, os níveis elevados de TIGAR produzidos por células cancerígenas também alteravam o metabolismo das células vizinhas que apoiam o cancro da mama, mas com o efeito metabólico oposto. 
 
Os cientistas, liderados por Ubaldo Martinez-Outschoorn, verificaram que, em vez de aumentar a sua dependência da produção de energia através da mitocôndria, a TIGAR tornava as células de suporte dependentes da glicólise e aumentava o crescimento tumoral. Estudos anteriores já tinham demonstrado que as células de suporte glicolíticas nos tumores tornam o cancro da mama mais agressivo.
 
O investigador refere que, tendo em conta que 70 a 80% dos cancros da mama apresentam níveis elevados de TIGAR e que existem já várias terapias para bloquear o metabolismo mitocondrial, estas poderiam ser utilizadas para cortar o fornecimento de “alimento” às células da mama cancerígenas.
 
Existem dois fármacos aprovados, a metformina (antidiabético) e doxiciclina (antibiótico), que são conhecidos por bloquear o metabolismo mitocondrial. Quando os investigadores utilizaram estes fármacos para bloquear o metabolismo mitocondrial nas células do cancro da mama que expressavam níveis elevados de TIGAR, observou-se uma redução na agressividade das células cancerígenas.
 
Ubaldo Martinez-Outschoorn conclui que, uma vez que estes fármacos já estão aprovados, e se realmente reduzirem o crescimento tumoral, estes podem estar disponíveis para os pacientes como um tratamento combinado com outros fármacos muito mais cedo do que novas terapias.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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