Cancro da mama: mapa genético tipo triplo negativo foi descodificado

Estudo publicado na "Nature"

10 abril 2012
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O mapa genético do cancro da mama do tipo triplo negativo foi descodificado, dá conta um estudo publicado na "Nature".

 

O estudo realizado pela Agência de Oncologia da Colúmbia Britânica, no Canadá em parceria com a Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), o Instituto canadiano de Oncologia de Alberta e o departamento de Pesquisa de Cancro da Universidade de Cambridge (Reino Unido), revelou que o cancro da mama triplo negativo, até agora entendido como doença com caraterização uniforme, apresenta grande complexidade e tumores diversificados que sofrem mutações ao longo da sua evolução.

 

Em declarações à agência Lusa, o líder do estudo Samuel Aparício revelou que o estudo analisou "o conteúdo dos genomas de 104 cancros da mama, do tipo 'triplo negativo', dos quais 70 utilizando os novos métodos ('next generation sequencing') para descodificar o genoma inteiro e encontrar todas a mutações presentes no ADN de cada tumor".

 

Os investigadores constatam que existe "uma tremenda diversidade genética entre os tumores, embora todos os tumores sejam considerados iguais do ponto de vista clínico, por exemplo, no tratamento".

 

"Ao utilizarmos métodos para estudar a fração de cada mutação presente nos tumores, constatámos que cada tumor pode ser considerado um mini ecosistema de células tumorais, ['clones', em inglês], com conteúdos diferentes de mutações. É - como dizer - um tumor, múltiplas doenças", salientou Samuel Aparício.

 

Por outro lado, acrescentou, "a evolução presente em cada tumor, no momento do primeiro diagnóstico, também revela uma grande variação entre os doentes".

 

O presente estudo mostra que entre 15 a 20% dos tumores cancerígenos triplo negativo contêm mutações associadas a fármacos em desenvolvimento, ou utilizados por outras indicações, frisou Samuel Aparício, face ao que "será preciso fazer ensaios clínicos usando estas mutações com biomarcadores, mas isto abre uma potencial via para doentes que já esgotaram a terapêutica corrente", preconizou.

 

Os carcínomas triplo negativos devem a sua designação ao facto de serem tumores que mostram a inexistência de três recetores de proteínas: estrogénio (RE), progesterona (RP) e fator de crescimento epidérmico humano (HER2).

 

Cerca de 16 % dos cancros do mama são de tipo triplo negativo, sendo responsáveis por 25 por cento das mortes no total de tumores do seio.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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