Cancro da mama: mamografias anuais não reduzem risco de morte

Estudo publicado no “British Medical Journal”

14 fevereiro 2014
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A realização de mamografias anuais não parece diminuir o número de mortes por cancro da mama comparativamente com o exame físico ou o acompanhamento médico habitual, em mulheres entre os 40 e os 59 anos, defende um estudo publicado no “British Medical Journal”.
 

Uma vez que muitas mulheres são anualmente submetidas a mamografias, uma equipa de investigadores canadianos decidiu medir quão eficaz é este rastreio anual, na prevenção de mortes por cancro da mama.
 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 89.835 mulheres com idades compreendidas entre os 40 e os 59 anos, as quais foram acompanhadas ao longo de 25 anos. As participantes foram divididas em dois grupos. Num dos grupos as mulheres foram submetidas a uma mamografia anual ao longo de cinco anos. As mulheres incluídas no grupo de controlo, que não foram sujeitas a mamografias, foram apenas submetidas a um único exame médico.
 

Ao longo dos 25 anos do período de acompanhamento, foi verificado que 3.250 mulheres incluídas no grupo submetido às mamografias desenvolveram cancro, comparativamente com as 3.133 do grupo de controlo. No primeiro grupo morreram 500 mulheres, enquanto no segundo grupo morreram 505. Desta forma a taxa de mortalidade dos dois grupos foi similar.
 

Os investigadores verificaram ainda que, nos primeiros cinco anos de acompanhamento foram diagnosticados mais 142 cancros no grupo sujeito a mamografias. Ao fim de 15 anos foram diagnosticados no mesmo grupo 106 cancros adicionais. Tendo em conta estes resultados os autores do estudo deduziram que 22% dos cancros no grupo sujeito às mamografias foram sobrediagnosticados.  
 

“Estes cancros não deveriam ter afetado a vida das mulheres em causa. No entanto, estas mulheres tiveram que viver com o facto de saberem que tinham um cancro da mama, quando de facto esta deteção não teve qualquer benefício”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Anthony B. Miller.
 

“Não realizar mamografias não significa vidas perdidas, mas vidas vividas com maior qualidade”, acrescentou no investigador.
 

Os investigadores alertam para o facto de estes achados serem resultantes de um estudo canadiano, não devendo por isso ser extrapolados a outros países. No entanto, aconselham a reavaliação das políticas de prevenção do cancro pelas autoridades de saúde de cada país.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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