Cancro da mama: Herceptin promissor em estádios iniciais

Estudo publicado na “New England Journal of Medicine”

13 janeiro 2015
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Um novo estudo sugere que o medicamento Herceptin, combinado com doses baixas de quimioterapia, poderá ajudar a prevenir a recorrência do cancro da mama em estado inicial.

 

O Herceptin (trastuzumab) é um dos medicamentos mais recentes para o tratamento do cancro que inibe a HER2, uma proteína que promove o desenvolvimento e disseminação das células cancerígenas.

 

Contudo, este medicamento é tipicamente empregue no tratamento de mulheres com carcinoma da mama em estado avançado. Não havia certeza se o Herceptin poderia ser eficaz no tratamento de tumores da mama em estado 1, que ainda não se tenham espalhado para os nódulos linfáticos.

 

Calcula-se que entre 20 a 30 por cento dos cancros da mama sejam HER2-positivos. As mulheres com este tipo de cancro apresentam um risco relativamente baixo de recorrência após cirurgia e radiação, mas que é contudo suficientemente alto para que os médicos lhes aconselhem a quimioterapia e Herceptin como terapia adicional.

 

Sara Tolaney, do Dana-Farber Cancer Institute em Boston, EUA, explica que o desafio reside em atingir um equilíbrio entre os potenciais benefícios e os efeitos secundários.

 

Para o estudo, a investigadora testou um regime de quimioterapia de baixa intensidade com o fármaco paclitaxel, durante o período de 12 semanas, e Herceptin durante um ano em 406 pacientes.

 

Ao fim de três anos, as participantes demonstraram uma baixa probabilidade de reincidência do seu cancro da mama, com apenas menos de 2 por cento a sofrerem recorrência do carcinoma.

 

Apesar de este estudo não ter contado com um grupo controlo, Charles Shapiro, codiretor do Dubin Breast Center no Hospital Mount Sinai em Nova Iorque, considera estes resultados como sendo “melhores do que o esperado”. No entanto, o profissional observa que não há certeza se estes benefícios se prolongarão a longo prazo.

 

"Com o regime utilizado neste estudo, verificaram-se muito poucas recorrências e uma baixa toxicidade”, comenta Dana Tolaney, sendo que “ (o regime) parece ser uma opção aceitável”. 

 

No entanto, o Herceptin pode apresentar efeitos colaterais. O medicamento é normalmente administrado uma vez por semana, durante um ano, apresentando efeitos secundários que passam por febre, náuseas, vómito e infeções.

 

Os riscos colaterais mais graves podem ser a nível cardíaco, como a cardiomiopatia e a insuficiência cardíaca que podem ser fatais. Neste estudo, duas das participantes desenvolveram insuficiência cardíaca que parou assim que deixaram de tomar o medicamento.

 

Outro lado negativo do tratamento com Herceptin é o custo extremamente elevado do medicamento. No entanto, os efeitos a médio prazo do mesmo revelaram-se muito positivos em mulheres com cancro da mama em estado inicial.

 

No futuro, os investigadores poderão investigar se o tratamento apenas com Herceptin, sem incluir quimioterapia, poderá ser uma opção viável.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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