Cancro da mama: fármaco contra a malária mostra-se promissor na prevenção

Estudo da Center for Applied Proteomics and Molecular Medicine

07 novembro 2012
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Um fármaco utilizado na prevenção e tratamento da malária, a cloroquina, mostra-se promissor na eliminação do cancro da mama antes que este se desenvolva, dá conta um estudo levado a cabo pelos investigadores do Center for Applied Proteomics and Molecular Medicine (CAPMM).
 

Atualmente o CAPMM tem três projetos de investigação em curso, incluindo o ensaio clínico PINC (Preventing Invasive Neoplasia with Chloroquine) que tem por alvo o tipo mais comum do cancro da mama pré-invasivo, o carcionoma ductal in situ (DCIS).
 

Neste ensaio clínico os investigadores submeteram mulheres com DCIS a um tratamento com cloroquina uma vez por semana, ao longo de quatro semanas. O estudo revelou que a toma desta mediação, que segundo os autores do estudo apresenta poucos efeitos adversos, conduziu à diminuição do tamanho das lesões.
 

Uma das investigadoras do CAPMM, Virginia Espina, explicou que este fármaco mata as células pré-malignas que se começam a acumular. A cloroquina impede a autofagia, a qual é utilizada pelas células para sobreviver ao stress. Perante condições de escassez de nutrientes, as células ingerem-se a elas próprias. “É uma forma de obter energia quando não há nutrientes suficientes”, acrescentou.
 

Quando as células de DCIS se acumulam nos ductos não têm acesso ao oxigénio e nutrientes suficientes e ficam comprimidas umas contra as outras. ”É como estar dentro de um elevador”, explicou a investigadora. “A pessoa que muitas vezes está mais próxima de nós não é aquela que necessariamente conhecemos ou gostamos mais. É o que acontece com as células pré-malignas ou tumorais. Estão próximas de outras células, mas não estão ancoradas a um local específico”.  
 

Assim, elas ficam sob stress e consequentemente fazem o que for necessário para sobreviverem, ou seja, utilizam a autofagia para se manterem vivas. Contudo, os investigadores verificaram que a cloroquina é capaz de alterar este processo.
 

Virginia Espina acrescentou ainda que a toma deste fármaco, para além de apresentar poucos efeitos secundários, não mata as células saudáveis, uma vez que estas não dependem da autofagia para sobreviverem.
 

Um dia, as mulheres ainda irão tomar, uma vez por ano, a cloroquina como forma de prevenção”, revelou, em comunicado de imprensa, Virginia Espina.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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