Cancro da mama e os fármacos para a fertilidade

Estudo publicado no “Journal of the National Cancer Institute”

11 julho 2012
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Os tratamentos de fertilidade que não têm sucesso diminuem o risco de cancro da mama, sugere um estudo publicado no “Journal of the National Cancer Institute”.

 

Os medicamentos que estimulam a ovulação aumentam temporariamente os níveis de estrogénios nas mulheres, desempenhando esta hormona um papel importante no desenvolvimento do cancro da mama. Apesar de alguns estudos terem demonstrado que os tratamentos utilizados na infertilidade aumentam o risco deste tipo de cancro, outros chegaram a resultados inconclusivos.

 

Neste estudo os investigadores do National Institute of Environmental Health Sciences, nos EUA, avaliaram mulheres diagnosticadas com cancro da mama que tinham menos de 50 anos, as quais foram comparadas com irmãs saudáveis. Os investigadores centraram-se especificamente na exposição a fármacos utilizados nos tratamentos de fertilidade, que tinham ou não conduzido a uma gravidez de pelo menos 10 semanas.

 

Os investigadores constataram que a exposição a tratamentos de fertilidade não reduzia o risco de desenvolvimento de cancro da mama. Por outro lado, as mulheres submetidas a este tipo de tratamentos, mas que não atingiram as 10 semanas de gravidez apresentavam um risco estatisticamente menor de desenvolver cancro da mama, em comparação com as mulheres que não tinham sido expostas a tratamentos de fertilidade. Contudo, as mulheres submetidas a estes tratamentos e que tinham superado as 10 semanas de gravidez apresentaram um aumento do risco de cancro da mama, em comparação com aquelas cujo tratamento não tinha sido bem-sucedido.

 

“Os nossos resultados sugerem que a exposição a uma gravidez induzida é suficiente para reduzir o risco associado com a exposição a fármacos que estimulem a ovulação”, explicam os autores do estudo. Os especialistas acreditam que a exposição a estes fármacos aumenta o risco de cancro através da modificação do tecido mamário associado à gravidez.

 

Louise A. Brinton do National Cancer Institute refere que os resultados obtidos são de difícil compreensão à luz dos estudos anteriores. A investigadora explica que a redução do risco global associado à utilização de fármacos pode estar relacionada com o facto de um dos fármacos ser similar a um com ação quimio preventiva.

 

Por outro lado, o aumento do risco de cancro observado nas mulheres tratadas com sucesso pode estar associado à exposição aumentada de hormonas ováricas, assim como o efeito duplo da gravidez no risco de cancro da mama, nomeadamente no aumento transitório que se dissipa com o tempo e eventualmente conduz a uma redução do risco de cancro a longo prazo.

 

Assim, na opinião desta especialista, são necessários mais estudos de forma a compreender melhor estas associações. “Devido a todas as complexidades, os resultados devem ser interpretados com cautela e comparados com os benefícios associados aos tratamentos de fertilidade, incluindo uma elevada probabilidade de parto de termo, que pode a longo prazo conduzir à redução do risco de cancro da mama”, conclui a especialista.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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