Cancro da mama e o papel das células imunitárias

Estudo publicado na revista “Clinical Cancer Research”

14 fevereiro 2017
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Um novo estudo sugeriu que o sistema imunitário poderá desempenhar um papel no desenvolvimento dos estádios iniciais do cancro da mama.
 
Para o estudo, liderado por Amy Degnim, especialista no estudo de tecido mamário na deteção de sinais precoces de alteração pré-maligna, da Mayo Clinic em Rochester, EUA, foi analisada a composição de células imunitárias de vários tipos em tecido mamário. Para o efeito, os investigadores utilizaram tecido mamário doado por mulheres com doença benigna da mama. 
 
A doença benigna da mama é não-cancerígena e pode ser detetada através de mamografia. Exemplos desta doença são quistos e fibrose que podem ser sentidos como caroços, assim como o endurecimento de tecido mamário. Este tipo de doença não é por si grave, mas algumas doenças benignas da mama estão associadas a um maior risco de desenvolvimento de cancro da mama mais tarde. 
 
No total, a equipa de investigadores contou com 94 grupos de três mulheres cada, com idades semelhantes. Cada trio incluía um caso de tecido mamário normal, um caso de doença benigna da mama que mais tarde conduziu ao desenvolvimento de cancro da mama e um caso de doença benigna da mama em que a dadora não desenvolveu cancro da mama mais tarde.
 
Foi observado que a composição das células imunitárias no tecido mamário era diferente nos diferentes três tipos de casos. O tecido mamário de mulheres com doença benigna da mama apresentava níveis superiores de certos tipos de células, especialmente macrófagos e células dendríticas (células que em conjunto criam uma resposta imune), em comparação com o tecido mamário normal.
 
O tecido mamário das mulheres com doença benigna da mama que mais tarde desenvolveram cancro da mama apresentava níveis reduzidos de células B, que são células imunitárias que produzem anticorpos. Os investigadores sugerem que este achado poderá indicar que as células B poderão desempenhar um papel relevante na prevenção do desenvolvimento da doença e servir como biomarcador para determinar o risco de cancro da mama. 
 
Amy Degnim considera que “os nossos achados demonstram que o sistema imunitário poderá desempenhar um importante papel em promover ou inibir o desenvolvimento do cancro da mama nos estádios mais iniciais”.
 
Sendo assim, a investigadora defende que este estudo poderá sugerir que se pode utilizar com sucesso abordagens como vacinas na prevenção no cancro da mama.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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