Cancro da mama e colesterol

Bolsa de investigação atribuída pela Associação Laço

18 abril 2013
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A Associação Laço vai atribuir a primeira bolsa de investigação para o estudo da relação entre os níveis elevados de colesterol e o desenvolvimento do cancro da mama.
 

“O que propomos estudar é se o colesterol elevado em doentes com cancro da mama recruta um tipo de células derivadas da medula óssea que suprime a resposta imune da doente a esse cancro”, explicou à agência Lusa, Sérgio Dias, do Instituto de Medicina Molecular, da Faculdade de Medicina de Lisboa.
 

O investigador refere que os níveis elevados de colesterol são um fator de risco de outras doenças, nomeadamente as cardiovasculares. O que agora este estudo pretende apurar é se o colesterol tem também um efeito no crescimento ou desenvolvimento em doentes com cancro da mama.
 

“Temos evidência experimental, preliminar, que, neste ambiente rico em colesterol, o cancro da mama cresce mais depressa e depois pode alastrar, formando metástases”, indicou.
 

Sérgio Dias referiu que não está aqui em causa uma tentativa de associar o colesterol ao surgimento do cancro. Contudo, os níveis lipídicos podem é potenciar o tumor da mama em doentes que já o tenham e contribuir para que possa alastrar a outras zonas.
 

Os investigadores conseguiram já demonstrar que os níveis de colesterol elevados recrutam um determinado tipo de células da medula óssea e que essas células vão para os tumores. A partir daqui, vão tentar perceber se o colesterol em doentes com cancro da mama recruta algum tipo de células derivadas da medula que vai diminuir a resposta da paciente ao cancro.
 

Adicionalmente, alguns estudos já demonstraram que há uma associação entre tumores maiores e mais invasivos e mulheres obesas.
 

No que diz respeito às aplicações futuras destas eventuais descobertas, Sérgio Dias considera que poderão ter uma aplicação clínica muito rapidamente, uma vez que já existem medicamentos usados noutras doenças para reverter os efeitos do colesterol.
 

“Isto, se tudo se provar, pode ter uma aplicabilidade clínica muito mais rápida. Não estamos à procura de fármacos novos propriamente ditos, eles já existem. Usando fármacos já existentes podemos é tentar reverter o efeito sistémico do colesterol no cancro”, disse à agência Lusa o investigador.
 

Este projeto, que venceu a primeira bolsa da Laço, num valor de 25.000 euros, deverá ter uma duração de dois anos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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