Cancro da mama: disseminação para os ossos pode ser impedida

Estudo publicado na “Nature”

02 junho 2015
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Investigadores do Reino Unido e da Dinamarca descobriram uma proteína que contribui para que o cancro da mama se dissemine para os ossos. Este achado publicado na revista “Nature” pode conduzir ao desenvolvimento de tratamentos capazes de impedir a progressão da doença.
 

Quando as células cancerígenas se disseminam do tumor da mama – local primário – para outras partes do organismo, este é denominado por cancro da mama secundário ou metastático. Habitualmente as células do cancro da mama disseminam-se para os ossos, sendo responsável por cerca de 85% de todos os cancros da mama secundários.
 

Neste estudo, coliderado pelos investigadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, os investigadores identificaram uma proteína, a LOX, que estimula a disseminação das células do cancro da mama para os ossos.
 

“Este é um progresso importante na batalha contra o cancro da mama metastático e estes achados podem conduzir a novos tratamentos que impeçam os tumores da mama secundários de crescer nos ossos, aumentando a probabilidade de sobrevivência de milhares de pacientes”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Alison Gartland.
 

De forma a chegarem a estas conclusões, os investigadores utilizaram uma técnica analítica, a espetrometria de massa, para analisar a secreção de proteínas de tumores em pacientes com cancro da mama com recetor do estrogénio negativo.
 

O estudo apurou que quando as células do cancro da mama ficavam privadas de oxigénio libertavam níveis elevados de LOX. Esta proteína origina orifícios nos ossos dos pacientes com cancro da mama, como uma forma de os preparar para a chegada das células cancerígenas.
 

"Demonstrámos que estas lesões fornecem, posteriormente, uma plataforma para as células tumorais em circulação colonizarem e formarem metástases ósseas", explicam os autores.
 

Os investigadores descobriram também que a introdução de LOX em ratinhos sem tumores conduziu a danos ósseos. No entanto, verificaram que fármaco bisfosfonato, utilizado no tratamento de doenças ósseas, tais como a osteoporose, impedia a ocorrência deste tipo de danos nos ratinhos.
 

Com base nestes resultados, os autores sugerem que a administração de tratamentos semelhantes aos pacientes com cancro da mama poderia impedir a propagação da doença para os ossos.

 

Os investigadores dizem que o próximo passo consiste em determinar como a LOX interage com as células ósseas para despoletar a metastização do cancro, o que vai permitir encontrar fármacos que parem o processo. "Isto também pode ter implicações na forma como tratamos outras doenças ósseas ", acrescentou Alison Gartland.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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